A Bairrada está a braços com um “anormal” ataque de míldio nas vinhas da região. Um problema que está a causar avultados prejuízos, exigindo mais tratamentos e atenção redobrada na vinha. A par deste problema também o black rot está a tomar proporções alarmantes, pois é uma doença recente (com cerca de seis anos) que tem vindo a alastrar.
Na verdade, devido às peculiares condições meteorológicas (temperaturas altas e baixas, chuva e humidade relativa elevada), tem ocorrido uma proliferação desta que é uma das principais doenças da videira. O míldio é um fungo que ataca todos os órgãos verdes da videira, provocando perdas na produção. Agora, em pleno mês de Julho, o rot brun (míldio no cacho) é a situação mais preocupante.
Mas, ao contrário de outras regiões portuguesas (Douro, Alentejo e Ribatejo), onde o míldio tem provocado perdas significativas, a Bairrada tem conseguido “controlar” os ataques, efectuando tratamentos atempados. Nesta acção têm sido determinantes os Avisos emitidos pela Estação de Avisos da Bairrada e o controlo feito pela APIBAIRRADA.
Assim, na Bairrada fala-se em perdas pontuais, sobretudo nas parcelas de viticultores que não trataram devidamente as vinhas. Os viticultores mais pequenos, desatentos e pouco profissionalizados viram as suas parcelas sofrer perdas avultadas que podem, em alguns casos, chegar aos cem por cento. Os grandes produtores e empresas da região, que se socorreram de apoio técnico, não sentiram com gravidade os ataques destas pragas.
De acordo com a Comissão Vitivinícola da Bairrada (CVB), “devido às condições favoráveis ao seu desenvolvimento, têm aparecido alguns focos de míldio na região da Bairrada”. A CVB dá conta de que “também se verifica que os viticultores que fizeram os tratamentos considerados necessários não foram praticamente afectados, podendo pois, de momento, ser considerada residual a quebra de produção devido a estes factos”.
César Almeida, da Estação Vitivinícola da Bairrada, admite que o míldio e o black rot, em simultâneo, têm atacado com mais força. “Os viticultores não estão devidamente esclarecidos para uma e outra doença e por vezes falham no tipo de abordagem/tratamentos a fazer”, acrescentou. Na Bairrada, num ano normal, fazem-se 6 a 9 tratamentos durante a campanha. Este ano foram necessários mais.

Produtores atentos. Carlos Campolargo desdramatiza o caso. “Não consideramos que seja um ano excepcional, mas sim uma situação de praga mais intensa que exige com combate atempado”. Apenas os custos com os tratamentos são mais elevados.
Luís Pato também não se queixa e diz que a perda não será superior a 1%. Contudo, reconhece que foram necessários mais tratamentos, no seu caso mais 20% em relação a um ano normal o que acarreta naturalmente um acréscimo nos custos em produtos agroquímicos.
Já Mário Sérgio Nuno diz não ter, no momento, nos seus 28 hectares de vinha qualquer sintoma de míldio, graças ao olhar atento de seu pai, responsável pela vinha: “os tratamentos, esses sim, aumentaram”.
Luís Melo, de Óis do Bairro, é um prestador de serviços. Cuida das suas vinhas e das de outros viticultores, assim como entrega uvas a empresas. Trata um total de 10 hectares. “O que faço é com gosto e no que trato não existem parcelas com míldio. No entanto, conheço pessoas que tiveram perdas significativas entre 30 e 50%. Há dois casos de 100% de perda da parcela.”

Catarina Cerca
catarina@jb.pt