O Dia Mundial do Animal celebra-se a 4 de Outubro. Instituído na década de 30, do século passado, a escolha teve em conta o facto do dia 4 de Outubro ser o dia de São Francisco de Assis, o santo padroeiro dos animais.
Um dia que pretende sensibilizar a população para a necessidade de proteger os animais e a preservação de todas as espécies; mostrar a importância dos animais na vida das pessoas e também celebrar a vida animal em todas as suas vertentes. Contudo, oito décadas depois. muito está por fazer e, nos dias que correm, várias são as espécies animais ameaçadas e em vias de extinção.
Perto de nós, são os cães e gatos abandonados que mais nos preocupam no dia-a-dia, não só pelo facto de terem sido abandonados à sua sorte, mas porque acabam por ser também uma ameaça à saúde pública. Por isso, fomos ouvir a opinião de voluntários e associações que na região vão lutando contra esta situação, procurando minimizar o sofrimento causado pelo abandono, que tem aumentado face à crise económica.
Dália Oliveira e Sandra Soares, da Associação dos Amigos dos Animais de Águeda, admitem que são mais os “rafeiros” que vagueiam pelas ruas, dando conta de que cães de raça são também abandonados. “O que acontece é que, por vezes, têm mais sorte quanto à adopção. “No abrigo da associação estão 250 cães e esta vê-se a braços com carências de vária ordem: falta de sócios pagantes; material de construção, alimentação animal, material de limpeza, medicamentos e abrigos. “O amor, compaixão e solidariedade dos voluntários não resolve tudo”, dizem-nos. Por isso deixam um apelo: que no Dia do Animal nos façam, através do facebook, um donativo de 1 euro. “Se houver uma adesão grande seria uma ajuda imensa visto que 1 euro nada custa a cada pessoa mas se todos os nossos amigos (cerca de 5mil) no facebook aderirem seria uma grande ajuda”. Em perspectiva estão campanhas de recolha de bens e alimentos nas lojas do Pingo Doce de Águeda e Oliveira de Bairro e no Lidl de Águeda.

Do abandono à adopção. Em Oliveira do Bairro o número de cães abandonados também tem vindo a aumentar nos últimos meses, confirmou ao Jornal da Bairrada, Carlos Ferreira, vereador responsável pela área da Saúde Pública.
“O aumento do número de cães abandonados tem sido constante, sendo que se regista um aumento cíclico no Verão”, acrescentou. O autarca explica que os cães são direccionados para o canil de Vila Verde, que “tem capacidade para 12 cães de porte médio, considerando três cães em cada boxe. Todos os animais são acompanhados de uma ficha de identificação individual, onde são registadas todas as ocorrências relativas ao animal”. Explica ainda que “o tempo que um animal permanece nas nossas instalações é variável. Após exame clínico efectuado pelo veterinário municipal, é decidido o seu destino em função do estado de saúde, sofrimento e condições para adopção, tendo sempre presente a defesa da saúde pública”. Contudo, existe um protocolo de colaboração entre os municípios de Oliveira do Bairro e Ílhavo, com o objectivo de acolher animais errantes no Centro de Recolha Oficial Animal de Ílhavo. Mas nem todos os animais acabam por ficar entre grades, já que muitos, segundo Carlos Ferreira, são adoptados. “Do nosso concelho já saíram cães adoptados para várias regiões do país: Aveiro, Águeda, Vagos e Cantanhede, mas também para Idanha-a-Nova e até Lisboa.”
A divulgação dos animais disponíveis para adopção tem sido feita através do site municipal, através de contactos directos com munícipes, nas várias freguesias e no Boletim Municipal, onde mensalmente é divulgada informação útil sobre os Animais de Companhia, bem como alertando e sensibilizando para temáticas dos animais domésticos. Todas as informações relacionadas com animais podem ser colocadas ao veterinário municipal, Pedro Costa Nunes, pnunes@cm-olb.pt.

Muitas dificuldades. O grupo de voluntários pertencente à Quatro Patas & Focinhos admite que o abandono atinge tanto “rafeiros” como cães de raça. Este grupo de voluntários, que actua especialmente nos concelhos de Mealhada e Anadia, é apoiado pela AGIR Pelos Animais, de Coimbra e pelas FAT (Famílias de Acolhimento Temporário).
Embora não possuam canil próprio, “trabalham” no abrigo da Mealhada. Com apenas oito boxes e um total de 22 animais. “No canil da Mealhada, os animais permanecem até serem adoptados. Aqui não há abate”, diz Ana Pinto, voluntária que acrescenta: “as adopções, embora a ritmo lento, vão acontecendo. Há cerca de duas semanas saíram três cães adultos. Cachorros saem muito melhor. Mas é isto que nos faz lutar”.
A JB revelam que a rede social Facebook, jornais e revistas são ferramentas que ajudam na divulgação do trabalho desenvolvido e na publicitação dos animais para adopção.
“A adopção implica uma triagem ao adoptante. Depois de passar no “teste”, o animal é vacinado contra a raiva e microchipado, obrigatório por lei e será esterilizado/castrado condição da Associação”, diz-nos Ana Pinto, dando conta de que as dificuldades são mais do que muitas: falta de voluntários; de apoio das autarquias, falta de rações; de desparasitantes e mantas.

Catarina Cerca