A Associação Social de Avelãs de Caminho (ASAC) está a braços com dois problemas preocupantes: a falta de espaço e a necessidade de avançar com obras de fundo no exterior e no interior da instituição e que ultrapassam os 100 mil euros. Sobre estes problemas, projectos e dificuldades, JB falou com Leonilde Rasga, presidente da instituição e com Margarida Neves, directora-técnica.

Momento de crise. A comandar os destinos da instituição há quase dois anos (o mandato é de três anos), Leonilde Rasga faz um balanço muito positivo. “Graças a uma gestão bastante controlada, cuidada e muito presente”, tem sido possível gerir as finanças desta IPSS que, nos tempos que correm, se ressentem da crise: “a conjuntura económica actual afecta bastante a vida das instituições, a braços com mais despesas e menos receitas, a que se junta já a dificuldade para alguns familiares e utentes em cumprirem com o pagamento das mensalidades”, avança. Situações de desemprego e salários em atraso são os principais dramas de algumas famílias, contudo os custos fixos (água, luz, gás, combustíveis) não param de aumentar, assim como as comparticipações da Segurança Social reduziram, dificultando a gestão já de si apertada.
“Mas esses custos são inevitáveis pois queremos continuar a dar conforto e criar um espaço acolhedor para todos os nossos utentes”, acrescentou.
Leonilde Rasga diz mesmo que “só com uma grande capacidade de imaginação, dinamismo e presença da direcção e o apoio e a qualidade dos serviços prestados pelos nossos colaboradores temos superado essas dificuldades”.
Com 15 anos, a ASAC é frequentada por 125 utentes e está com lotação esgotada na maioria das valências.
Na Infância apenas o CAF, com 21 crianças, não está lotado. A Creche, com 20 bebés e o ATL, com 25, estão na sua capacidade máxima. Na terceira idade, a situação é ainda mais dramática. O Centro de Dia tem 20 utentes e o Lar 31, ultrapassando o limite dos acordos com a Segurança Social. Apenas o Apoio Domiciliário está mais liberto, já que apenas oito idosos usufruem deste serviço.
“Temos de repensar esta valência e ver se vale a pena continuar, já que não tem grande procura”, diz, destacando que o mesmo não se passa no Lar e Centro de Dia: “a falta de espaço é dramática em relação a estas valências. Lutamos diariamente com falta de espaço nomeadamente na cozinha, lavandaria, arrumos e não possuímos uma zona aberta onde os nossos utentes possam usufruir de espaços abertos, espaços verdes”.

Certificação em risco. E a falta de espaços verdes e de um parque infantil poderão inviabilizar a certificação da instituição. “A falta de espaço interior e exterior são problemas que condicionam a certificação das nossas valências. O processo está iniciado, mas é certo que vamos ter apenas a validação e não a certificação por não conseguirmos preencher todos os requisitos”, explica Margarida Neves.
Daí, a necessidade urgente de adquirir um terreno contíguo ao actual edifício, porque este, se há 15 anos poderia estar adequado às exigências, nos dias de hoje revela-se insuficiente. Contudo, o custo elevado pedido pelo proprietário tem impossibilitado a ASAC de o adquirir por falta de verba. “Estamos em negociações já que este terreno resolveria os nossos problemas”, diz.
A aquisição pela ASAC, em 2003, de um terreno, por 87.500 euros para expandir as suas instalações, constata-se, hoje, ter sido um erro. Na altura, a ideia era construir um edifício de raiz para a terceira idade, ficando o edifício primitivo para a Infância (rés-do-chão) e o primeiro andar seria para um Centro de Noite. Um projecto que nunca se chegou a concretizar e que, segundo Leonilde Rasga, ainda bem que não avançou: “seria incomportável qualquer tipo de obra porque implicaria a duplicação de serviços (cozinha, lavandaria), por outro lado, o dito terreno está implantado numa zona em que o PDM não permite qualquer construção. Teria sido muito mais vantajoso para a associação a aquisição deste terreno contíguo ao nosso edifício do que o que foi adquirido pela anterior direcção”.

Obras urgentes. Para já, certo é o início das obras de restauro (exterior e interior, com pintura, isolamento de varandas, arranjos recorrentes das infiltrações e humidade) a começarem em 2012, ainda que sem financiamento: “pedimos ajuda e a Segurança Social de Aveiro deu, há dois anos, parecer positivo, mas até agora não recebemos qualquer resposta da tutela. Em Março deste ano reforçamos o pedido e nem resposta tivémos”. Por isso, não descartam a hipótese de realizar em breve um jantar e noite mágica com vista à angariação de fundos, junto da população que, de resto, tem sido sempre muito participativa e generosa.

Venda de Natal ajuda instituição
∑ Se não sabe o que oferecer neste Natal a um familiar ou amigo, a ASAC propõe-lhe uma série de sugestões (arte em fuxicos) feitas com muito amor e carinho pelos utentes, funcionários e elementos da direcção da instituição. São porta-chaves, porta-moedas, ganchos para o cabelo, brincos, pegas, bolas de Natal em tecido e artigos vários de decoração, em madeira, à venda na instituição a preços simbólicos e que ajudam a ASAC a angariar fundos para as obras a que se propõe.
CC