As Juntas de Freguesia de Sangalhos e de Avelãs de Caminho estão de candeias às avessas, por causa dos limites entre as duas freguesias.
O problema é antigo e não se vislumbra solução fácil, por isso, António Floro, autarca da freguesia de Sangalhos, equaciona recorrer ao Tribunal Administrativo para pôr cobro ao desentendimento que persiste há décadas.
Na última sexta-feira, em conferência de imprensa, o autarca sangalhense criticou a autarquia vizinha de Avelãs de Caminho, que é liderada por César Andrade, por recentemente ter colocado quatro placas toponímicas em ruas que diz pertencerem à freguesia de Sangalhos, entre o Bicarenho e S. João de Azenha.
Como é visível na fotografia, existem ruas que têm duas placas toponímicas diferentes, colocadas uma pela Junta de Freguesia de Sangalhos e a outra pela autarquia de Avelãs de Caminho.
“No sábado, recebo uma chamada de pessoas do Bicarenho e de S. João de Azenha a dizerem-me que pessoal da Junta de Avelãs de Caminho andava a colocar placas toponímicas ao lado das nossas, ou seja, a darem outro nome às ruas da freguesia de Sangalhos”, acusou António Floro que conta: “por vontade de alguns populares, as placas da discórdia deveriam ser arrancadas”. Contudo, o autarca entende que deverá ser o Tribunal a decidir, uma vez que a breve reunião, realizada entre si, César Andrade e o presidente da edilidade, Litério Marques, não permitiu chegar a um consenso.
“Não quero chegar lá e arrancar as placas. Não é assim que se resolvem as coisas”, revela, admitindo que em causa estão muitos hectares de terreno. Por isso, vai levar esta questão no próximo dia 23, à Assembleia de Freguesia.
César Andrade sustenta a sua posição com base em cartografia oficial: “os limites estão definidos pela Carta Administrativa Oficial de Portugal. São limites pelos quais todos nos regemos e que são do conhecimento da Câmara e de todas as Juntas. Se os terrenos em causa estão registados como sendo de Sangalhos, os serviços competentes é que devem corrigir esses erros”. O autarca de Avelãs de Caminho conta ainda que há uma década esta autarquia colocou placas toponímicas que foram vandalizadas e arrancadas: “queremos boa vizinhança e não alimentamos polémicas. Mas a verdade é que os mapas nunca foram contestados. Como autarca, limito-me a administrar a freguesia através dos limites geográficos oficiais”.
António Floro considera que os limites estão errados, acrescentando que o seu homólogo de Avelãs de Caminho “se agarra ao que mais lhe interessa, ou seja, a mapas mal traçados, em Lisboa”. Por isso, admite ter de recorrer a Tribunal.

Catarina Cerca

catarina@jb.pt