Cristina Pereira nasceu e viveu em Portugal apenas alguns meses, mas afirma perentoriamente que o seu país é Portugal e não a Suíça, para onde os pais a levaram, à procura de melhores condições de vida.
Chegou bebé a Conthey, na Suíça, e aí reside há 27 anos. Apesar de passar pouco tempo em Portugal, reconhece que os portugueses são mais calorosos do que os suíços. “Nós ajudamos toda a gente se for preciso, enquanto que aqui não são tanto assim.” E há sempre quem não goste dos estrangeiros “e fazem senti-lo, mas a mim não me afeta”, garante a bairradina, natural do Paraimo, Sangalhos, onde tem toda a família.
Confessa que tem “muitas saudades da terra” e de quem lá deixou. Todos os anos vem a Portugal. “Não pode falhar!”
Na Suíça, Cristina Pereira é vendedora. Estudou até ao 10.º ano, e depois “fiz quatro anos de aprendizagem”. Frequentou a escola portuguesa.
Olha para o nosso país com alguma preocupação. “Portugal está numa situação económica muito complicada e é uma pena, porque o nosso país tem muitas riquezas que infelizmente não são exploradas, tanto a nível material como humano.”
Apesar de nunca ter vivido em Portugal, gostava um dia de poder regressar. “O meu país é Portugal, não é a Suíça”, reforça, “mas por enquanto tenho de lutar pela minha vida e neste momento isso não é possível no meu país”.
“A vida de um emigrante não é fácil, porque estamos longe da família e da nossa terra”, afirma Cristina. “Há momentos em que as saudades apertam, mas temos todos de lutar pela vida.” E se lutar pela vida significar sair do país, então, diz Cristina Pereira, há que arriscar.
Oriana Pataco
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