Foram nove os burros que, este ano, participaram na tradicional corrida de burros de Ancas, inserida nos festejos da padroeira Nossa Senhora da Assunção que, este ano, se realizaram de 15 a 18 de agosto naquela freguesia do concelho de Anadia.
No final da tarde de sexta-feira, dia 17, cerca de 2500 visitantes, provenientes dos mais variados pontos da região, não faltaram ao evento que é já o ex-libris dos festejos de Ancas. Uma tradição que tem atraído cada vez mais visitantes a esta pequena freguesia, que se divertem com as peripécias que os burros proporcionam. Com alguns dos “montadores” vestidos a rigor para o evento, viveu-se uma tarde de folia à volta de um animal que esteve em vias de extinção mas que é cada vez mais querido e protegido.
As gargalhadas, os aplausos, os risos e muitas palavras de incentivo aos concorrentes marcaram o evento onde reinou sempre a boa disposição e o convívio. “A corrida nada tem de competição”, diziam-nos nas ruas de Ancas: “o que interessa é manter esta tradição que tem quase meio século de existência, bem viva”.

Balanço muito positivo. Pedro Marques, da mordomia dos festejos, fez, por isso, um balanço extremamente positivo da corrida, não só porque este ano correram mais burros, mas também pelo público que apinhava as ruas, soltando gargalhadas, divertindo-se com as dificuldades dos “montadores” e com as teimosias e partidas dos burros, que ora andavam para trás, ora paravam.
O objetivo era dar seis voltas num percurso de aproximadamente 500 metros estabelecido pela organização e chegar à meta em primeiro lugar.
Contudo, não deixa de destacar que “esta iniciativa é única e singular na região. Tem quase meio século de existência”, deixando a promessa que tem todos os ingredientes para durar muitos e bons anos.

Truques e segredos revelados. Os burros, provenientes de Ancas, Samel, Aguada de Cima, Aveiro e Serena foram montados por concorrentes de todas idades (crianças e adultos), mas a vitória caberia a um “veterano”, João Marques, da Serena, que, pelo terceiro ano consecutivo vence a corrida.
“O segredo está em treinar o animal algum tempo antes da corrida. Não se pode vir para aqui, sem treino e correr, porque o animal se assusta, ou não sabe correr, ou então os cascos aquecem muito no alcatrão e ele vê-se obrigado a parar. É preciso muito treino antes”, disse-nos, dando conta de que o seu burro tem já cerca de 8 anos e se chama Índio.
Mesmo assim, assistiram-se a outros truques para motivar os burros: alguns eram aliciados a dar o seu melhor, ora com palavras de incentivo, palmadas no traseiro, e até mostrando-lhe uns copos de cerveja.
O vencedor levou para casa, como prémio, uma pequena lembrança e alguns fardos de palha, porque o objetivo do evento é mesmo divertir os visitantes.
A comissão deste ano, em parceria com o Clube de Ancas, já decidiu comprar um burro, que ficará durante o ano a ser tratado nas instalações daquela coletividade e que servirá de mascote a futuras corridas.

Tradição. Reza a tradição que, numa tarde de festa em que não havia nenhum conjunto a atuar, alguém teve a ideia de fazer uma corrida de burros, porque, na altura, na localidade, em muitas casas, havia destes animais. A brincadeira pegou e o que é certo é que, até aos dias de hoje, os festejos de Ancas não são festejos se não tiverem a tradicional corrida de burros.

Catarina Cerca
catarina@jb.pt