Encerrou, na Rua do Comércio, em Sangalhos, na última sexta-feira, dia 12, aquela que era uma das mais emblemáticas e antigas agências bancárias do concelho de Anadia.
Num processo de reorganização da sua rede de balcões, o Millenniumbcp encerrou o de Sangalhos, que existia na vila há 44 anos.
Embora os clientes tenham sido preparados e alertados para este facto, a verdade é que muitos habitantes lamentam o encerramento, ao mesmo tempo que alguns deles recordam os tempos idos, quando este balcão abriu ao público, em outubro de 1968. Era o segundo de dois bancos existentes no concelho (o outro era o Banco Espírito Santo, localizado na Praça do Município, em Anadia).
O balcão de Sangalhos, então Banco Pinto & Sotto Mayor foi, ao longo dos anos, sofrendo transformações várias: foi nacionalizado, depois privatizado, chamou-se apenas Sotto Mayor, até à sua aquisição pelo BCP.
Agora, os clientes deste balcão terão que se deslocar aos balcões do Millenniumbcp mais próximos, casos da Malaposta, que dista cinco quilómetros de Sangalhos, ou em alternativa ao concelho vizinho de Oliveira do Bairro, a escassos três quilómetros. A terceira alternativa é Anadia, a nove quilómetros.

“Sinais dos tempos”. Para uns trata-se de “um sinal dos tempos”, para outros “a continuação do processo de extinção de serviços vários na freguesia”.
Alexandra Mendes, cliente da agência de Sangalhos, há vários anos, lamenta este encerramento que a obriga agora a deslocar-se à Malaposta. “É mais um espaço que encerra em Sangalhos”, assim como “para as pessoas mais idosas é um problema maior, já que não temos uma rede de transportes públicos como nas grandes cidades, causando muitos inconvenientes”. De igual forma Paulo Seabra, cliente há mais de duas décadas, lamentou o encerramento, mas também a retirada da caixa multibanco. “Agora só temos um banco e um multibanco para toda a freguesia”, considerando que a saída da agência “é uma grande perda para os sangalhenses”.
Mas se estivermos bem atentos, verificamos que, nos últimos 15 anos, a freguesia tem vindo a assistir, de forma sistemática e preocupante, ao desaparecimento de serviços que são caros e determinantes na qualidade de vida das populações.

Outras perdas. O velhinho Hospital da Misericórdia, com urgência e internamento, deu lugar ao Centro de Saúde, então com serviço de atendimento permanente. Neste momento, resta uma Extensão de Saúde que disponibiliza à população um conjunto de serviços bem mais limitados.
Depois, foi o desaparecimento de uma das duas farmácias aqui existentes; da Estação dos CTT que deu lugar a um posto dos Correios a funcionar nas instalações da Junta de Freguesia. Também a Estação da CP, outrora cheia de vida, virou uma espécie de apeadeiro “fantasma”.
O autarca António Floro é um dos que afirma serem estes “sinais dos tempos”, mas lamenta profundamente estes desaparecimentos, que não melhoram a qualidade de vida das populações, obrigando-as as deslocações que seriam desnecessárias, para fora da freguesia.
Acrescente-se que Sangalhos foi, no passado, sede de algumas das mais poderosas caves, mas também de várias indústrias e comércios de bicicletas e motorizadas. Hoje, muitas são as empresas e os comércios entretanto encerrados. Aliás, os vários edifícios degradados e mesmo em ruínas demonstram-no.
Também ao nível do ensino, o encerramento de escolas básicas e salas de jardim de infância, devido ao cada vez mais reduzido número de crianças, é uma realidade incontornável.

Mais bancos a encerrar. Acrescente-se ainda que o Millenniumbcp encerrou recentemente o balcão de Fermentelos e agora também o balcão de Mourisca do Vouga (ambos no município de Águeda).
Também em Bustos o balcão do BPN encerrou, sucedendo o mesmo à agência do BIC. Já em Oliveira do Bairro encerrou, há mais tempo, o balcão do Banco Popular.

Catarina Cerca