Embora tenha sido determinada a fusão das freguesias de Amoreira da Gândara, Ancas e Paredes do Bairro, no concelho de Anadia, o executivo da Junta de Freguesia de Amoreira da Gândara inaugura hoje, dia 21 de março, as novas instalações da Junta de Freguesia.
O insólito é que estas novas instalações são inauguradas no ano em que a freguesia será extinta, para dar lugar à União das Freguesias de Paredes do Bairro, Amoreira da Gândara e Ancas, cuja sede deverá ser em Paredes do Bairro.

Lutar pela manutenção da freguesia como sede. O autarca Joaquim Cosme reconhece o insólito do caso mas explica que “o projeto estava feito, a obra quase concluída quando, em Lisboa, fizeram uma Lei que determina a fusão de freguesias”. Ou seja, com a obra na mão, a única solução foi dar-lhe continuidade até porque se trata de um investimento orçado em cerca de 250 mil euros, que recebeu cerca de 32 mil euros de apoio do Estado Português e perto de 80 mil euros de apoio da Câmara Municipal de Anadia.
“O terreno para implantar a obra foi oferecido à Junta que se encontra a funcionar em instalações provisórias, cedidas pela Casa do Povo, ou seja, a Junta nem sequer sede própria tinha”.
O autarca de Amoreira, que cumpre o segundo e último mandato nestas funções, diz ainda que a inauguração de hoje, se deve ao facto da freguesia comemorar 85 anos de independência.
“Hoje, dia 21 de março, a freguesia celebra a sua independência. Faz 85 anos que nos desvinculamos da freguesia de Sangalhos”, diz o autarca, que sente uma enorme revolta por ver a sua freguesia associada a uma fusão imposta à população.
Por outro lado, diz não entender nem aceitar que a comissão técnica inicialmente designe «fusão das freguesias de Amoreira da Gândara, Paredes do Bairro e Ancas», e depois, mais tarde, sem se saber bem porquê conste «fusão das freguesias de Paredes do Bairro, Amoreira da Gândara e Ancas».
“Já apresentamos uma reclamação, fomos recebidos na Assembleia da República, mas a verdade é que continua tudo na mesma”. Assim, espera que o seu sucessor lute pela manutenção da freguesia como sede, até porque a seu ver, relativamente a Paredes do Bairro “a nossa freguesia é maior em área, tem mais habitantes, tem Zona Industrial, Posto Médico, caixa multibanco, farmácia, posto de combustível”. Quanto ao que esteve na decisão da escolha de Paredes do Bairro e não Amoreira da Gândara para sede de freguesia desconhece mas não descarta a hipótese de “jogadas políticas”.
“Temos aqui umas instalações magníficas que honram qualquer freguesia. E só não concluímos as lojas, localizadas na cave do edifício, porque, até ao momento, não tivemos interessados em ocupá-las. Os tempos são incertos, as pessoas têm medo de investir, por isso vamos aguardar.”
A sua indisponibilidade para continuar na vida política deve-se, diz, à idade e ao desgaste que a gestão de uma freguesia dá: “tenho motivação, mas a idade não perdoa. Devemos dar lugar aos mais novos”.

Obras. Quanto a obras, faz um balanço muito positivo do mandato: “fizemos quase tudo”, ainda que reconhecendo que o orçamento muito curto não chegue para as necessidades (36 mil euros). A sede da Junta é a obra mais emblemática, a par com a reabilitação da Escola do Chãozinho, que tem agora todas as condições de um Centro Escolar.
A autarquia conseguiu ainda levar a bom porto a pintura dos dois cemitérios, beneficiar as fontes e lavadouros: Rua 21 de Março, Portouro de Cima e de Baixo; Fonte da Bola, no Tojal; Fonte da Pinguela; arranjo do caminho da Fonte José Cardoso; reparação de caminhos rurais com apoio de maquinaria da Câmara Municipal; caminho do Murraçal, na Relvada, com construção de um muro de suporte de terras e consequente alargamento do mesmo; manutenção de ruas e jardins.
Por fazer está a colocação de passeios nas zonas habitacionais da freguesia, melhorar a rede viária, substituir alguma iluminação pública e marcar a estrada principal que liga a freguesia a Ancas e à Mamarrosa.

Catarina Cerca
catarina@jb.pt