Eduardo Matos, comandante dos Bombeiros Voluntários de Anadia, passou ao Quadro de Honra, no passado dia 25 de março.
Cinco anos depois de ter assumido o comando, foi agora substituído pelo seu irmão, António Matos Pereira ainda que em regime de substituição, até que seja encontrado um novo comandante para a corporação.
Embora não tenhamos conseguido chegar à fala com o comandante Eduardo Matos, sabemos que o seu pedido de substituição se prende com o “cansaço” causado pelas exigências do cargo, mas também devido “a problemas de saúde”.
Eduardo Matos sucedera ao comandante João Dias Coimbra (que estivera mais de duas décadas no comando da corporação de Anadia), mas em dezembro último, depois de concluir um mandato, solicitou à direção a sua substituição.
Segundo Mário Teixeira, presidente da direção da AHBVA, “agora é preciso encontrar um novo comandante que reúna o perfil, disponibilidade de tempo e gosto pela causa dos bombeiros voluntários”, dando conta de que essa pessoa poderá ser “externa à corporação” pelo que o processo poderá levar ainda algum tempo até estar concluído. A direção dá conta de que esta situação surge “na sequência do pedido formulado pelo Comandante Eduardo Matos”, que “exerceu o cargo de comandante com grande disponibilidade e dedicação, empregando todo o seu saber ao serviço do Corpo de Bombeiros e da comunidade”.
No comunicado a que tivemos acesso, a direção manifesta “o seu apreço ao comandante Eduardo Matos pela sua entrega à causa dos bombeiros”, formulando votos “para que encontre a satisfação dos seus anseios, quer na vida pessoal, quer na sua vida profissional”.

Contas aprovadas. A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Anadia (AHBVA) teve um ano de 2012 difícil. Mário Teixeira destaca a diminuição dos serviços prestados e os constantes aumentos dos combustíveis como alguns dos fatores que contribuíram para um resultado menos positivo. Depois, verificou-se também uma diminuição da faturação (menos 46 mil euros, do que no ano anterior), devido às restrições do SNS na atribuição das credenciais de transporte, para tratamentos, situação que veio agravar o quadro de dificuldades.
“As dificuldades existentes e a incerteza quanto ao futuro obrigou-nos a uma gestão cautelosa, prudente, séria, de forma a evitar situações de angústia à AHBVA”, diz Mário Teixeira.
No relatório de contas aprovado, em assembleia geral, no passado dia 23, é revelado ainda que o volume de faturação no ano de 2012 foi de 302.971 euros (menos 46 mil euros do que em 2011). “O resultado negativo apurado, no valor de 16.118 euros, deve-se às amortizações e depreciações do exercício, no valor de 69.889 euros. Salientando-se ainda que o resultado operacional (antes das amortizações) era positivo de 54.074 euros, reflexo da cuidada gestão”, refere Mário Teixeira, que sublinha a acentuada dificuldade na cobrança de quotas e o crescente aumento de desistência: “são situações que nos preocupam muito”, refere.

Atividades para 2013. A direção da AHBVA admite que, face à conjuntura atual, será difícil reunir as condições necessárias para levar a cabo todos os objetivos a que se propuseram aquando do início do mandato, há um ano atrás. Mesmo assim, o novo quartel, sonho ainda longínquo, não está esquecido, pelo que a direção está apostada em continuar a dialogar com a tutela sobre esta matéria.
Já em matéria de recursos, face à grande dimensão de área florestal do concelho, associado ao desgaste e idade das viaturas da corporação, constitui uma das prioridades remodelar a frota. Neste momento, devido ao crescente aumento do tecido industrial, era necessária uma viatura de combate a incêndios industriais, “mas impossível de adquirir nos tempos que correm”, admite a direção de Mário Teixeira, que vai continuar atenta à remodelação do fardamento e equipamento, face à sua idade e utilização intensiva. Em marcha está ainda a reestruturação dos recursos humanos e dos serviços com a finalidade de assegurar os postos de trabalho existentes e o apoio à formação.
CC