Continua na ordem do dia o processo da reforma administrativa, depois do presidente da Assembleia Municipal ter garantido que uma das freguesias foi perdida por não “termos coragem de assumir a responsabilidade de agregar” duas no sul do concelho. Carlos Neves, que falava no decorrer da cerimónia comemorativa do 25 de Abril, admitiu que, se tal tivesse acontecido, ter-se-ia evitado a agregação de Santo António com Vagos.
Um desfecho que vai “desequilibrar ainda mais” a divisão administrativa do concelho, reconheceu. De acordo com Carlos Neves, o governo tratou de forma “inqualificável” o poder local, castigando os concelhos “que não concordaram com a reforma administrativa, com uma percentagem maior de freguesias agregadas”.
Reagindo às críticas, o presidente da Câmara, Rui Cruz, confirmou que o assunto foi discutido, de forma exaustiva, em sede da Assembleia Municipal. Quanto à decisão “não dependia nem do presidente da Câmara nem da Câmara, mas exclusivamente dos deputados municipais”.
Em declarações a uma rádio local, o edil vaguense argumentou que “havia muito boa gente, incluindo o presidente da Assembleia Municipal” que não acreditava na eventualidade da freguesia de Santo António poder vir a ser agregada.
“Eu chamei a atenção para esse risco”, disse Rui Cruz, sublinhando que à exceção da Gafanha da Boa Hora, “quase todas as freguesias podiam ser, mediante a lei, agregadas ou agregadoras”.
Publicada em Diário da República, após promulgação de Cavaco Silva, na lei relativa à reorganização administrativa do território das freguesias, são três as freguesias agregadas no concelho: Vagos/Santo António, Covão do Lobo/Fonte de Angeão e Ponte de Vagos/Santa Catarina. Das três providências cautelares a requerer efeitos suspensivos, duas acabaram chumbadas pelo Tribunal Constitucional.
Agora já “não há volta a dar”, concede Rui Cruz, sugerindo que o processo autárquico comece a ser preparado em função de oito e não 11 freguesias.

Eduardo Jaques
Colaborador