Não existe explicação para o que aconteceu há cerca de duas semanas na zona do Cabeço, em Mogofores. Dezenas de árvores de fruto e ornamentais, arbustos de jardim, roseiras e sardinheiras foram queimadas no Bairro de Santa Luzia, em terreno que alegadamente pertence à autarquia anadiense.
O terreno localiza-se numa urbanização que data da década de 80. Segundo moradores, “o lote não numerado, maior do que os outros, sem frente, é o único escoante possível para os caudais pluviais de toda a praceta, bem com o dos telhados das moradias que para ali têm frente”.

De lixeira a jardim. O lote, onde não se prevê venda ou construção, está identificado legalmente com o jardim público da urbanização, ainda que em 30 anos nunca ali tenha nascido qualquer jardim. Pelo contrário, durante décadas serviu de lixeira coletiva, um verdadeiro atentado à saúde pública, cheio de silvas, mato e vegetação daninha diversa, escondendo (tal como um outro terreno ali perto de grandes dimensões, mas abandonado) centenas de coelhos, para já não falar de ratos e cobras e outra bicharada que invade casas e praceta.
De acordo com alguns moradores, este espaço, perante a inércia da autarquia, tem sido gradualmente embelezado por moradores do bairro que ali têm gasto recursos, tempo e dinheiro a plantar árvores de fruto e ornamentais, assim como várias espécies de flores, com vista a criarem o tão sonhado jardim.
“Esta reestruturação perspetivava a construção de um muro de suporte de terras, terraplanagem e regularização do terreno, com adequado escoamento de águas, enriquecimento do solo e plantação de mais árvores, com vista à colocação de bancos e mesas à sombra dos renovados sobreiros”.
“Com esse bem visível apoio e após conveniente reestruturação, pretendíamos transformar a ex-lixeira no jardim de Santa Luzia. Criar um belo espaço comunitário para benefício de todos”, contam, revoltados agora com o ato de “pura maldade, ignorância e vandalismo”.

Crime. Agora, esse sonho parece ter ido por água abaixo, já que entre os dias 11 e 12 de maio, alguém, pela calada da noite, terá queimado a quase totalidade das espécies ali plantadas: “só por pura maldade”, dizem-nos, acrescentando que já em fevereiro deste ano, numa visita ao local por técnicos da Câmara Municipal, seguiu-se a oferta de 60 m3 de terra (5 camiões).
Há mesmo quem considere o ato “um crime ambiental”, perpetrado por “um espírito terrorista”, que “pulverizou veneno”, matando dezenas de espécies. Indignados, apelam à intervenção mais enérgica da Câmara Municipal e da Junta da União de Freguesias, mas também para virem verificar, in loco, o “ato infame”.
Um dos moradores, que há mais anos cuida das árvores, “para não ser obrigado a ver um pessegueiro adulto carregado de fruto, agonizar e secar lentamente, cortou-o logo”, avança um dos moradores que deixa no ar algumas questões: “este ato tresloucado terá sido motivado por inveja, ódio, por quê e de quem?”.

Catarina Cerca
catarina@jb.pt