Depois de há oito dias se terem juntado, na freguesia de Vilarinho do Bairro, em protesto pelo escoamento e melhores preços da batata e pelo silêncio do Governo, a Comissão dos Produtores de Batata e a ALDA – Associação da Lavoura do Distrito de Aveiro reuniu, de novo, com os produtores e agricultores de batata, desta vez junto à Câmara Municipal de Oliveira do Bairro.
Uma comissão de oito agricultores acabaria por ser recebida por Cristóvão Batista, vice-presidente da autarquia oliveirense, que prometeu contactar as câmaras de Anadia e Vagos, com o intuito de promover, o mais rápido possível, uma reunião com Assunção Cristas, Ministra da Agricultura.
Na base do problema estão os cinco cêntimos por quilo (branca ou vermelha) oferecidos aos agricultores por este tubérculo, o que dizem “nem dar para as arrancar da terra”.
“Em causa está a defesa dos interesses dos produtores de batata da região. A batata parecida com a nossa, nas grandes superfícies, continua a preços mais altos no consumidor, acima dos 30 ou 40 cêntimos o quilo”, adiantou Albino Silva, presidente da ALDA.
“Continuamos a aguardar por uma resposta às nossas reivindicações por parte do Governo. A situação é lamentável e a tutela já devia ter intervindo. Com os Bancos resolveram o problema com urgência”, disse Albino Silva, que questionou “se a Ministra da Agricultura e o Governo não têm um minuto para nos responder”. Aquele dirigente foi mais longe e avançou estarem os produtores “a ser roubados”, reinando “a especulação, com grandes prejuízos para os produtores e também para os consumidores que pagam muito mais por batata que não tem a qualidade da nossa. A batata que aparece nos grandes mercados não nos merece confiança, mas a nossa, de boa qualidade, vai ficar a apodrecer na terra sem escoamento e sem preço à produção.”
Albino Silva pede ainda que o Governo intervenha, o mais rápido possível, para resolver este problema, que controle e fiscalize e, que dessa forma, limite as importações de batata e de outros produtos e bens alimentares, assim como a atividade especulativa dos hipermercados.
Por seu turno, João Dinis, da Confederação Nacional da Agricultura, afirmou que “estamos perante um problema grave e que é necessário resolver os cinco cêntimos por quilo. É um roubo”, referindo-se ainda aos preços praticados nas grandes superfícies, mas também à qualidade da batata. “Especula-se que a batata pode vir do Egito ou da França, por isso temos que fiscalizar estas anomalias do comércio e importação da batata.”
“Há oito dias, o CNA esteve reunido com a Ministra da Agricultura, para que fizesse uma reunião com elementos das câmaras, direção da CALCOB e com a distribuição. Na altura, a ministra delegou no Secretário de Estado da Agricultura essa reunião, mas ainda não fomos convocados”.
O representante do CNA diria também que “os donos da Cooperativa são os sócios. Quem está à frente das direções tem que ouvir os sócios, temos que lutar pelos nossos problemas, é importante que todas as partes se reúnam e informem do que se está a passar.”
Por último, Tiago Vieira, do grupo parlamentar do PCP – Aveiro, que também veio dar apoio aos produtores de batata, diria: “Vocês são a força para alterar isto.”

Manuel Zappa
zappa@jb.pt