O produtor bairradino Luís Pato foi distinguido com o Prémio Personalidade do Ano 2014, atribuído conjuntamente pelo BPI e Cofina (Correio da Manhã e Jornal de Negócios), com o patrocínio do Ministério da Agricultura e do Mar.
Nesta 3.ª edição, o Prémio Agricultura 2014, que tem por objetivo promover, incentivar e premiar os casos de sucesso dos setores Agrícola, Agro-Industrial, Pecuário e Florestal nacionais, atribuiu, pelas mãos da ministra da Agricultura e do Mar, Assunção Cristas, o galardão “Personalidade do Ano 2014”, a Luís Pato. Foi no passado mês de dezembro, em Lisboa.
O prémio de reconhecimento pela carreira exemplar na área da vitivinicultura não deixou de surpreender o produtor bairradino.
A JB, Luís Pato confessou ter ficado surpreso com a distinção, não só porque não esperava receber tal galardão, mas porque, fazendo uma análise mais profunda, este traduz-se num “prémio carreira” que, segundo o próprio, “dá a ideia de que se está a ficar velho”, pois são já 30 anos a trabalhar a full time neste setor.
Um reconhecimento enquanto produtor, mas também pela sua posição sempre irreverente, sobretudo junto da administração central, pelo contributo dado no desenvolvimento e na promoção da agricultura portuguesa, mas também pelo trabalho desenvolvido em favor da Bairrada, da sua imagem. Como se sabe, Luís Pato tem sido um dos mais acérrimos defensores da casta Baga, no país, mas especialmente no mundo, sem esquecer o que tem feito pelo setor, enquanto dirigente da CAP (Confederação dos Agricultores de Portugal) e vice-presidente da ViniPortugal.

Diferenciação. Embora este seja um prémio carreira, um prémio pessoal, a região da Bairrada também sai vencedora, admite o produtor, para quem a casta Baga é de exceção para a produção de espumante. Por isso, reconhece que a aposta da Comissão Vitivinícola da Bairrada (CVB) na promoção e na dinamização do espumante de Baga é um importante passo para a região, “por não existir esta casta em mais nenhum ponto do mundo para a produção de espumante”.
Luís Pato admite que a Baga começa a dar passos importantes e a consolidar-se, ou seja a fazer-se notar e conhecer a nível mundial, concretizando-se, assim, um dos seus maiores sonhos.
Aliás, à nossa reportagem confessou que há 12 anos, quando inaugurou a sua adega, em Amoreira da Gândara, tinha um sonho que agora se torna realidade: “colocar a Baga como uma casta de reconhecimento mundial”. Hoje, este sonho começa a concretizar-se e, não restam dúvidas, que os Baga Friends (grupo de produtores bairradinos que integra) são um exemplo disso mesmo.
Daí que este grupo, a convite de Robert Parker (crítico de vinhos de renome internacional), vá apresentar esta casta emblemática da Bairrada, em Londres, no próximo dia 28 de fevereiro, durante o certame Vinhos Ícone do Mundo.
Por outro lado, admite que a viticultura melhorou bastante na região graças às novas plantações, mas também à existência de mais técnicos na vinha. “Hoje não é só o saber da experiência do produtor que conta, mas também o conhecimento dos técnicos sobre a vinha”, sublinhando que o vinho Bairrada “começa a ter uma boa imagem lá fora”. Por outro lado, salienta que para tal tem contribuído a aposta feita na diferenciação, na utilização de castas diferenciadoras, mas também na educação pela diferença: “temos de educar o consumidor para as características únicas das nossas castas, para que ele as passe a conhecer e a apreciar”, porque os vinhos portugueses são muito gastronómicos, de elevada qualidade e feitos com castas desconhecidas do consumidor comum.
Luís Pato acredita que nos EUA, por exemplo, dentro de dois ou três anos, o vinho português vá estar ao mais alto nível e que Portugal tem que se saber “vender diferente”, considerando ainda mercados de eleição para os vinhos nacionais o Canadá, Japão, Coreia do Sul, Macau e Hong Kong. “Não precisamos de muitos mercados, mas de bons mercados”, conclui.
Nesta 3.ª edição, foram também distinguidos: Jovem Agricultor: Lúcia Freitas, Magnum Vinhos; PME: Fundação Eugénio de Almeida; Associações/Cooperativas: Carmin, Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz; Novos Projetos: Terrius; Inovação: Francisco Olazabal; Produto Excelência: Tomate industrial; Grandes Empresas: Sugal.
Catarina Cerca