A Cooperativa Agrícola dos Lavradores do Concelho de Oliveira do Bairro (CALCOB) tem nova direção. Os novos corpos sociais, encabeçados por João Paulo Seabra, estão empenhados em continuar a estratégia de inovação e encontrar novas soluções e alargar os serviços que já prestam. O triângulo de ação passa por três pilares fundamentais: associado, CALCOB e cliente.

Jornal da Bairrada – Que desafios se colocam a esta nova direção?
Direção da CALCOB – Sabemos que a era em que vivemos é de desafios. Temos consciência de que nenhum momento é igual a outro, porque o tempo, as variáveis e as circunstâncias alteram-se e exigem tomadas de decisão em concordância com esse ambiente.
A CALCOB encontra-se numa situação bastante saudável e pacífica, cujo crescimento queremos que continue a ser pautado pela análise ponderada e pela sustentabilidade. O nosso triângulo de ação passa por três pilares fundamentais: associado, CALCOB e cliente.
Toda a nossa estratégia continuará a passar por alcançar a satisfação do nosso associado, através de uma política de ação baseada na confiança e na lealdade. Assumimos o desafio de procurar aproximar o associado da sua Cooperativa e aumentar o elo de união que liga a CALCOB ao seu Associado.
Vivemos um período ainda com instabilidade económica, e a CALCOB, cujo modelo de governação assenta nos valores económicos, mas também na justiça social, equidade e transparência vê a sua atividade condicionada pelas diversas variáveis externas. A CALCOB continuará a preocupar-se com o incremento da economia e do emprego.

Qual é a estratégia da CALCOB?
A CALCOB pautar-se-á por uma estratégia de racionalização dos custos, eficiência energética e de recursos, mas nunca descurando a responsabilidade social e ambiental. O paradigma económico e social é mutável, por isso assumimos o compromisso de promovermos a identidade cooperativa da CALCOB.
Olhamos para o associado com um olhar de primazia, mas não descuramos o nosso cliente/ consumidor. As cooperativas, nomeadamente a CALCOB, estão inseridas num ambiente operacional altamente competitivo, por isso temos de apostar fortemente em produtos com elevado valor acrescentado; produtos diferenciados, defendendo elevados padrões de qualidade e de rastreabilidade e explorando novos mercados (nacional e externo). Assumimos o desafio de conquistar e fidelizar o nosso cliente/consumidor.
Os desafios de cada um destes pilares serão aliciantes, mas procuraremos trabalhar em sinergia com todos, para que esta seja uma relação benéfica para todos os parceiros.

O que é hoje a CALCOB?
Criada em 1975, a CALCOB, hoje em dia, é uma cooperativa de referência do setor agrícola nacional. Desde há quase quatro décadas temos procurado inovar a cada dia que passa, superando-nos a cada projeto delineado. Começámos com o setor da batata de consumo e a venda de fatores de produção, seguiu-se a aposta na batata de semente, alargámos a nossa área de negócio às hortícolas, sempre com um plano de formação que capacitasse os nossos agricultores e os nossos colaboradores.
Atualmente inaugurámos uma nova unidade que nos permitiu aumentar a capacidade de produção da batata de consumo e das hortícolas de I Gama e simultaneamente apostar numa nova gama de produtos: a IV Gama. E com estes projetos somos já mais de 70 colaboradores. Somos uma organização cooperativa, com uma importante vertente económica e social, procurando ser um impulsionador de emprego, de incentivo à agricultura e de dinamização da região.

A agricultura como está? E para onde caminha?
Na nossa região, a agricultura é, essencialmente, de minifúndio e de cariz familiar, onde grande parte da população ativa está ligada à agricultura, o que, por si, é um fator de vitalidade para o setor. No entanto, também assistimos a um incremento de jovens licenciados que apresentam projeto e se estão a iniciar na agricultura.
As pessoas que se dedicam a esta atividade estão a tornar-se extremamente profissionais naquilo que fazem, pois, contactam com as lides da terra há bastante tempo e temos procurado muni-los com os conhecimentos e as ferramentas necessárias para que possam melhorar os procedimentos e rentabilidades das suas explorações. Notamos, nos últimos anos, uma evolução, em volume, do produto agrícola, mas que tem sido acompanhada de um decréscimo acentuado da sua valorização, refletindo-se em preços bastante baixos, exercendo uma pressão negativa significativa sobre os rendimentos dos agricultores.
Sabemos que, dado a estrutura dos nossos terrenos, há barreiras existentes à inovação, nomeadamente os custos elevados, a indisponibilidade de capitais próprios e a dificuldade de acesso ao crédito, a fraca disponibilidade de recursos humanos que se exponenciam num momento de crise económica como a atual, no entanto acreditamos que o novo PDR2020 traz incentivos para que se viabilize a agricultura e esta se torne mais profissionalizada, mecanizada, com um maior grau de organização e de formação. A agricultura tem futuro e é o nosso futuro, por isso todos temos uma palavra a dizer no seu estímulo. Valorizemos o que é nosso e exijamos que o produto colocado nas prateleiras das grandes superfícies seja nacional. Depende de mim e de si lutarmos pelo que é da nossa Terra! Virgílio, nas suas Geórgicas, disse que “como seriam venturosos os agricultores, se conhecessem os seus bens!”, eu diria “como seriam venturosos os nossos consumidores, se valorizassem os seus bens!”

Que projetos estão previstos para este mandato?
Traçar um conjunto de projetos não é uma tentativa de predizer o que vai acontecer, mas é uma linha orientadora para raciocinarmos no presente, as ações e medidas que serão necessárias para construirmos um futuro ganhador. Mas o sucesso não se mede apenas pelas metas alcançadas, mas também pela forma como percorremos o caminho. E nós queremos percorrer este caminho com humildade, tolerância e dedicação. A CALCOB tem uma longa história, com projetos encetados, que temos de dar continuidade. O investimento na nova unidade tem de ser rentabilizado. Temos agora todo um trabalho de prospeção de mercado e criação de carteira de clientes para os produtos da IV Gama. À semelhança da antiga direção não descuraremos as lojas, acompanhando-as de perto e iniciaremos a elaboração do projeto de reestruturação da loja de Vagos e de Cacia. Mas como sabem, temos de ir com calma, pois queremos continuar a ser sustentáveis e ponderados. Nunca tivemos medo de inovar e esta direção procurará traçar a melhor linha de conduta para que os resultados da CALCOB sejam reflexo do trabalho e empenho de toda esta equipa.

O número de associados tem vindo a aumentar?
Sim, penso que os agricultores se vão consciencializando de que se estiverem agrupados numa organização, como a nossa Cooperativa, só têm a ganhar. A nossa atuação pretende valorizar o associado e o seu produto, dando-lhe uma maior projeção no setor agroalimentar. O nosso trabalho é o de acompanhar o agricultor desde o planeamento da produção até à entrega nas nossas instalações. Procuramos inovar, encontrar novas soluções e alargar os nossos serviços para que colmatemos possíveis lacunas que existam nesta cadeia produtiva. E constato que este trabalho realizado tem vindo a ser reconhecido, para quantificar o número de associados podemos dizer que atualmente contamos com 4771 associados e 88 destes foram inscrições desde 2014.