Luís Capoulas Santos, Ministro da Agricultura, das Florestas e do Desenvolvimento Rural, presidiu na última segunda-feira, 28 de novembro, às celebrações do 10.º aniversário da Associação Rota da Bairrada.
Entre os muitos elogios ao trabalho realizado ao longo da última década pela Rota da Bairrada, o aniversário ficou marcado pelo apelo feito pela edil anadiense Teresa Cardoso ao ministro, para que medeie e esteja disponível “para se despoletarem os procedimentos da avaliação que o processo de negociação possa envolver, em particular com a DGPE, tutelada pelo Ministério das Finanças”, por forma a que o Centro de Investigação Nacional de Espumante seja uma realidade em Anadia, nas instalações da Estação Vitivinícola da Bairrada.
O ministro Capoulas Santos começou por se referir à celebração da “consolidação de um projeto que percorreu um caminho e trajeto de sucesso”, mostrando-se ainda disponível (em relação ao Centro de Investigação) “para encontrar soluções que valorizem o património e que contribuam para o desenvolvimento regional”.
O evento contou com a presença de vários presidentes de Câmara dos municípios da região da Bairrada; Pedro Machado, presidente do Turismo Centro de Portugal; Pedro Soares, presidente da Comissão Vitivinícola da Bairrada; e representantes dos setores vitivinícola e gastronómico.

Rota da Bairrada uniu a região. Após o descerramento da placa comemorativa, Jorge Sampaio, presidente da Rota da Bairrada, fez o resumo deste projeto, que arrancou em 2003, no sentido de revitalizar a Rota dos Vinhos. Recordou que na sua criação estiveram 23 associados que passaram, nos dias de hoje, a 52, não só produtores de vinho mas também outro tipo de agentes – restauração e hotelaria, bem como os oito municípios da Bairrada.
A Associação possui, hoje, dois espaços Bairrada, na Curia e em Oliveira do Bairro, que têm crescido imenso: “de 2014 para 2015 triplicámos as vendas neste espaço [Curia] e no ano de 2015 tivemos 8 mil visitantes, dos quais 1800 eram estrangeiros” .
Destacou o facto de já em 2017, a Rota da Bairrada se preparar para abrir mais Espaços Bairrada, sendo o objetivo a médio-longo prazo de ter um em cada município da Bairrada.
Jorge Sampaio salientaria ainda que, em 10 anos, o número de visitantes a adegas e caves da região aumentou 700%, fruto do trabalho e investimentos dos vários agentes da região, “sobretudo produtores vitivinicultores que apostaram e investiram na criação de infraestruturas para receber turismo e enoturismo de grande qualidade”.
Quanto ao futuro, revelou que, nos próximos anos, o trabalho da Rota da Bairrada será feito na valorização e requalificação da marca Bairrada; na defesa dos produtos endógenos (certificação dos vinhos e do leitão, projeto Baga Bairrada); qualificação e investigação, através da criação do Centro de Investigação Nacional de Espumantes, e promoção e divulgação dos produtos da região.
Trabalho elogiado. Pedro Machado, presidente do Turismo Centro de Portugal, destacou “a inexcedível colaboração da Associação Rota da Bairrada” e no facto de apostar de forma contínua na qualificação do produto e da oferta turística. Um desafio que tem em vista consolidar a atratividade turística.
Daí, destacar que a “Rota da Bairrada tem sido um aliado fortíssimo”, na base do trabalho turístico, mas também no posicionamento e competitividade. “Hoje, o consumidor mais e melhor informado procura diversidade e qualidade e esta região tem essa capacidade de poder servir vários públicos – um turista que é mais cultural, outro que é mais gastronómico, ou mais adepto do turismo de natureza”.
Na ocasião, destacou anda a importância da paisagem rural para o turismo: “a paisagem rural é um ativo extraordinariamente importante para a atratividade turística dos nossos territórios e das nossas regiões”.
Também Ribau Esteves, presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro, sublinharia o trabalho realizado pela Rota da Bairrada, “pelo valor acrescentado que adicionou àquilo que já era a Bairrada antes de nascer a Rota.”
Sublinhou igualmente a necessidade de se avançar com o processo de certificação do leitão, para que este “mantenha a sua qualidade, que se vai perdendo, de vez em quando”, deixando ainda a nota de que um dos novos Espaços Bairrada (em Aveiro) ficará sediado no antigo edifício da Estação da CP e irá juntar três produtos/marcas identitárias do território – ovos moles, sal e os espumantes e vinhos Bairrada, que “vão fazer uma grande casa, bonita”, concluiu.

Autarca lança repto ao ministro. Na ocasião, a edil anadiense Teresa Cardoso reconheceu que a Associação Rota da Bairrada tem “a difícil tarefa de projetar este território, de afirmar as suas potencialidades, de valorizar os seus recursos endógenos”, não deixando de sublinhar o facto da Rota “ter consolidado os seus propósitos, unindo a região e convidando os seus associados a trabalhar num projeto comum, dando primazia à certificação, à inovação e à excelência dos produtos e do seu território.”
Aproveitando a presença do ministro, reforçou, uma vez mais, a preocupação com as instalações da Estação Vitivinícola da Bairrada, património do Ministério da Agricultura, hoje tutelado pela Direção Geral do Património do Estado: “um belíssimo tesouro arquitetónico, com mais de um século”, mas que se tem vindo a esvaziar por falta de recursos, mas também a degradar-se a olhos vistos. Daí ter apelado, uma vez mais, à criação de um Centro de Investigação Nacional de Espumante na região.
A deslocação do ministro à Bairrada terminou com um almoço comemorativo do 10.º aniversário da Rota da Bairrada, nas Caves Aliança, onde os vinhos e espumantes da região e o leitão foram os reis à mesa.
Catarina Cerca
catarina.i.cerca@jb.pt