A UCC (Unidade de Cuidados na Comunidade) de Anadia promoveu nos dias 8, 9 e 10 de maio um seminário sobre cuidados paliativos, na Biblioteca Municipal de Anadia.
Destinado a profissionais de saúde, o vasto programa de três dias teve por missão compreender os princípios e valores dos cuidados paliativos no sistema de saúde, fazendo uma análise profunda da temática.

Aposta na prevenção e proteção. Na sessão de abertura dos trabalhos, Silvana Marques, coordenadora da UCC de Anadia, revelou que o seminário surgiu do desejo da UCC de “elevar a qualidade nos cuidados de saúde prestados, capacitando utentes, famílias e comunidade para a sua autonomia”, no entanto, destacaria a necessidade de se implementar, cada vez mais, o cuidado paliativo que não se limita ao cuidar em fim de vida.
Ciente de que ao longo destes quatro anos, esta UCC tem crescido no seu desempenho e nas suas competências, não deixou de elencar também as dificuldades que vai encontrando ao lidar com a comunidade. Por isso,  referiu que os decisores políticos devem apostar na prevenção e proteção, apelando a que se faça um investimento sério na área e que a colocação de recursos nestas unidades seja feita de forma a fazer a diferença na prestação de cuidados paliativos, junto das populações.
Pedro Almeida, diretor executivo do ACES Baixo Vouga, que recentemente tomara posse, mostrou-se muito satisfeito pela realização deste seminário, até porque a área dos cuidados paliativos é um tema atual e de grande importância, enquanto que José Tereso, presidente da ERS Centro, salientou que “quatro anos após a sua entrada em funcionamento, esta UCC é um modelo do bom desempenho em prol dos grandes objetivos das UCC’s.”
Paliativos com muitas necessidades. Na ocasião, Manuel Oliveira, da coordenação Nacional para a Reforma do SNS na área dos Cuidados de Saúde Primários, destacaria que na reforma dos cuidados de saúde primários, a prioridade absoluta visa “capacitar os cuidados de saúde primários em recursos humanos, materiais e outros para responderem às necessidades em saúde dos cidadãos.”
Por outro lado, frisou ser necessário ter em conta outros profissionais de saúde (psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas, fisioterapeutas, etc.) de forma  a constituir equipas de saúde multidisciplinares para melhor responder às necessidades em saúde dos cidadãos e que são cada vez mais complexas. Daí ter-se focado na necessidade de fazer “um trabalho cada vez maior de convergência e de integração”, ou seja, colocar a capacidade de intervenção centrada nas pessoas, famílias e nas comunidades. Defendeu ainda uma maior proximidade aos doentes e famílias: “é muito mais eficiente cuidarmos em proximidade, junto dos cidadãos, no domicílio das pessoas do que nos hospitais, capacitando os cidadãos para o autocuidado mas também as famílias para cuidarem, apoiando essas famílias.”
Ao nível dos cuidados primários e cuidados paliativos, o objetivo é conseguir fazer um trabalho em rede efetivo entre estas duas áreas.
Aos presentes falou da importância desta formação e dos que nela participam, não só porque esta é uma área com “necessidades imensas”, mas porque é alvo de “um apelo permanente que cada vez mais os cidadãos fazem”. “Temos cada vez mais pessoas a querer falecer em suas casas, junto dos entes queridos, mas para isso temos de ter suporte técnico e pessoas devidamente capacitadas”, sublinhou.
A terminar, a edil anadiense Teresa Cardoso destacou que o município de Anadia vai desenvolvendo as suas funções ainda que dentro das suas limitações na área da Saúde, mas sempre atento e preocupado porque são muitas as reformas na área e as competências que os municípios vão sendo desafiados a assumir nos próximos tempos.
Destacando o bom trabalho realizado pela UCC de Anadia na comunidade e em articulação com a Rede Social, diria ainda que o tema agora em discussão é “da maior importância, numa resposta que deve ser cada vez mais ativa, multidisciplinar e em proximidade para com o doente e as famílias.”
Catarina Cerca