O Comendador do Povo. Era assim apelidado António Soares de Almeida Roque, pelos inúmeros apoios prestados a instituições sociais, recreativas e culturais (Bandas Musicais, Grupos Folclóricos, Bombeiros, Cruz Vermelha, Misericórdias, Lares de Idosos, Jardins de Infância…), em toda a região, em particular nos concelhos de Águeda e Oliveira do Bairro.
O Comendador Almeida Roque morreu no passado sábado, dia 19 de maio, aos 99 anos, no Hospital da Luz em Oiã, onde estava internado há mais de um ano. Faria 100 anos no dia 16 de agosto. Como se esperava, o seu funeral, no domingo, dia 20, constituiu uma enorme manifestação de pesar, estando representadas largas dezenas de entidades, instituições e associações, a quem o benemérito apoiou ao longo da sua vida.
Foram decretados 2 dias de luto municipal  em Águeda e 3 em Oliveira do Bairro.
Empresário de referência. António Soares de Almeida Roque era natural de Barrô, concelho de Águeda. Era casado com Delfina Tavares da Costa e Almeida e teve três filhos, dos quais uma já falecida.
Foi em Águeda que fez, com a classificação de “distinto”, o difícil mas muito completo curso elementar, tendo ingressado na então Escola Comercial e Industrial Marques de Castilho, tendo, por opção, abandonado os estudos, para ir trabalhar no comércio de Lisboa, com um empresário natural do Sardão, Águeda.
Regressou a Barrô onde em 1935, com 16 anos, construiu um dos melhores estabelecimentos do concelho, “A Casa Primavera”, um minimercado à época. Acabaria por se dedicar com particular interesse às indústrias do betão pré-esforçado e, sobretudo, à cerâmica de construção, com cinco fábricas, o que lhe granjeou o direito de ser considerado o maior produtor do país na década de 1980/90.
Foi também um dos visionários do Centro da Cerâmica e Vidro (hoje integrado na Universidade de Aveiro) e membro da sua comissão instaladora.
Constituída a Associação dos Industriais de Cerâmica da Região de Aveiro, foi eleito por unanimidade dos sócios, no mesmo dia, Presidente da Direção, cargo que ocupou até se desfazer das empresas, daquele ramo industrial.
De 1950 a 1995, em representação das suas empresas ou integrado em delegações nacionais, percorreu quase toda a Europa, sempre incentivado pela sua ansiedade de aprender.
 
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