O anadiense Marco Alves, 36 anos, foi galardoado com o prémio do Grupo de Estudos de Investigação Fundamental e Translacional (GIFT) atribuído pela Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD). Foi no 15.º Congresso Português de Diabetes, de 8 a 10 de março, em Vilamoura.
O jovem investigador do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto e da Unidade Multidisciplinar de Investigação Biomédica (UMIB) assume-se como um workaholic, fruto de um caminho trilhado com paixão mas também com muito sacrifício.
 
É investigador no ICBAS (Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar) desde 2016, onde trabalha nas áreas do Metabolismo, Bioquímica, Biologia Celular e Andrologia. Estava à espera desta distinção?
Faço parte da Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD) apenas há três anos. Há dois anos atribuíram-me uma bolsa e ganhámos o prémio de melhor apresentação em poster; o ano passado voltámos a ganhar esse mesmo prémio.
Nunca se espera este tipo de distinções tão cedo na carreira, mas é um reconhecimento merecido, modéstia à parte, pelo trabalho que temos desenvolvido.
 
O que representa este prémio para si e para a sua equipa?
Este é um estímulo muito prestigiante. O valor pecuniário é simbólico, mas a validação da SPD é muito importante para nós.
A nossa equipa é muito jovem e não tem sido fácil sobreviver aos cortes financeiros na ciência, ao desinvestimento nas infraestruturas e à falta de estabilidade contratual.
 
O galardão para o que realizou atribuído pela SPD durante o 15.º Congresso Português de Diabetes, premeia o quê concretamente?
Concorri pela primeira vez ao prémio do Grupo de Investigação Fundamental e Translacional da SPD, que reúne os especialistas que fazem investigação básica, fundamental e/ou translacional na área da Diabetes.
O júri internacional procurava excelência num projeto inovador, competitivo e com potencial de translação.
O nosso grupo estuda, entre outras coisas, de que modo as doenças metabólicas, particularmente a diabetes tipo 2, podem ser herdadas do pai. Novas descobertas têm demonstrado que a descendência de um pai obeso, ou com diabetes tipo 2, terá maior probabilidade de desenvolver essas doenças.
Nós estamos a tentar ir um pouco mais longe e perceber como é que isso acontece.
 
O prémio de 5 mil euros é um incentivo para que a investigação continue?
Sem dúvida. Estes apoios extra são essenciais porque, embora o nosso laboratório esteja muito saudável, estamos limitados no tipo de despesas. Por exemplo, se precisar de um equipamento não posso comprá-lo, mesmo tendo meio milhão de euros de financiamento. Precisamos procurar mecenato ou aplicar estes prémios.
O financiamento certo, nas pessoas e nas rúbricas certas, dá bons resultados.
Este prémio foi dado a uma equipa que produz, é dedicada, e vai conseguir chegar onde se propõe ir… desde que não se fechem portas.
 
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