Chamam-lhe “sangalheiros”, mas pertencem à paróquia de Ancas. Cansados mas felizes, os peregrinos chegaram a Vagos pouco depois das sete da tarde da última sexta-feira de agosto, predispostos a renovar a promessa multissecular. E ainda agradecer o “dom da chuva” que, há mais de três séculos, veio pôr ponto final na prolongada seca, de sete anos, que havia assolado a região bairradina. Já lá vão 300 anos, segundo reza a história.
Comandados pelo juiz da igreja, Arménio Cerca, e demais mordomias, três dezenas de resistentes devotos tinham-se feito à estrada, rasgando a pé, com devoção e fé, o coração da Bairrada, por Amoreira da Gândara, Mamarrosa, Troviscal, Sobreiro de Bustos e Palhaça. Trouxeram consigo as insígnias e lanternas, para além da cruz de prata da paróquia. Tudo envolvido, como manda a tradição, em “finas toalhas de linho bordadas”, bem arrumado no pesado tabuleiro, que as mordomas de São Martinho transportam à cabeça.
Tinham à sua espera, por indisponibilidade do pároco de Vagos, o diácono António Machado, que os acolheu e acompanhou, em procissão, até à igreja matriz, onde foram dadas as boas vindas e rezado o terço. Na manhã seguinte, a alvorada foi bem cedo, já com a presença do padre João Carlos Carvalho, responsável paroquial de Amoreira da Gândara, Troviscal e Ancas.
Promessa cumprida
Ler mais na edição impressa ou digital