A anadiense Sara Seabra Reis, com raízes em Ancas, acaba de vencer o Prémio João Cordeiro 2019.
Professora Adjunta no Departamento de Física do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), conquistou um dos galardões mais importantes na área da inovação em farmácia.
 O projeto intitulado MedLis, consiste na colocação de um chip interativo nas caixas de medicamentos, contendo toda a informação necessária de forma a que o utilizador os tome corretamente. Ao aproximar o telemóvel do chip colocado na caixa, o utente fica a saber como e quando tomar a medicação.
Já apelidados de medicamentos que falam, o objetivo deste projeto passa por, num futuro próximo, poder ajudar, sobretudo pessoas invisuais e pessoas com baixo índice de literacia, a ultrapassar o problema da autoadministração de medicamentos.
A cerimónia de entrega do Prémio João Cordeiro – Inovação em Farmácia teve lugar no passado dia 19 de outubro, em Lisboa, numa iniciativa da Associação Nacional das Farmácias (ANF).
O prémio monetário de 20 mil euros servirá de apoio ao desenvolvimento do projeto.

Acaba de vencer um importante prémio, Prémio João Cordeiro 2019. O que sentiu ao saber que era a vencedora?
Senti uma enorme surpresa, um enorme orgulho. Quando trabalhamos algum tempo num projeto, temos sempre a tendência a achar que não está bem o suficiente. Tornamo-nos muito exigentes quer connosco, quer com toda a equipa. Este prémio veio reforçar o sentimento de que o que estamos a fazer, estamos a fazer bem e que é este o caminho.
 
Pode falar desse projeto? Em que consiste?  Para que serve e qual a sua utilidade?
Este projeto visa ajudar pessoas que têm dificuldades visuais, pessoas que têm baixo índice de literacia, entre outras pessoas de populações mais vulneráveis.
O mote deste projeto é colocar os medicamentos a falar com as pessoas.
E como? Através de umas etiquetas, programáveis pelo farmacêutico, e que contêm todas as informações sobre o medicamento: a bula, horas de toma, proximidade de fim de caixa, entre outras informações que o farmacêutico ache relevante para aquela pessoa em concreto.
 Como surgiu a ideia? Como foi desenvolvida?
A ideia surgiu após termos a noção da dificuldade que pessoas com dificuldades visuais têm na autoadministração dos medicamentos. Isto é, quando levam os medicamentos para casa, se não os veem bem, como os podem tomar corretamente?
O processo e o software ainda estão a ser desenvolvidos pela nossa equipa.
 
Tem viabilidade nas farmácias portuguesas?
Toda a viabilidade. O projeto é simples e de fácil implementação. Aliás, este prémio foi atribuído pela Associação Nacional de Farmácias, que contamos como nossos parceiros na implementação do projeto nas farmácias.
 
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