Foi ao som das magníficas vozes que integram o Ensemble Vocal Introitus que a mais antiga Confraria báquica de Portugal deu início ao seu Grande Capítulo anual, este ano comemorativo dos 40 anos de vida da Confraria dos Enófilos da Bairrada.
Os cerca de 150 confrades que rumaram, uma vez mais, ao Palace do Bussaco, na noite do passado dia 30 de novembro, tomaram parte numa comemoração singular que entronizou dois confrades de honra: o produtor de Bordéus e enólogo, Pascal Chatonnet e o agrónomo, enólogo e fundador da Confraria, António Dias Cardoso.
Isso mesmo seria vincado pela presidente da Confraria,  Célia Alves, momentos antes da entronização, para a internacionalização da divulgação da Bairrada, como Confrade de Honra, de Pascal Chatonnet, um dos mais reputados enólogos de Bordéus, perito científico e enólogo consultor de várias empresas vitivinícolas internacionais, com estreita ligação à Bairrada no seu passado e presente laboral, sendo enólogo das Colinas de São Lourenço, empresa do universo IdealDrinks.
Paralelamente, a Confraria escolheu como Confrade de Honra para o território nacional e a nível interno,  o  confrade fundador e oliveirense, António Dias Cardoso, numa sentida e clara homenagem a um dos poucos confrades fundadores da Confraria vivos, presente desde o primeiro dia, na vida da Confraria. Uma figura maior da região, de “inesgotável contributo para a afirmação da Bairrada, responsável pela divulgação e estudo da Bairrada moderna”, diria a presidente dos Enófilos. 
Durante o evento, que se prolongou pela noite dentro, foram ainda entronizados como confrades de mérito o professor universitário e distribuidor de vinhos na Sérvia (apaixonado pelos Bairrada) Zelijko Tintor e o autarca de Aveiro e presidente da CIRA, Ribau Esteves, assim como passam a integrar os Enófilos da Bairrada mais sete novos confrades. 
 
Confraria voltada
para a modernidade
Na ocasião, a presidente dos Enófilos da Bairrada, Célia Alves recordou que, naquela noite, se celebrava aquele que terá sido um dos momentos que melhor definiu a região vitivinícola da Bairrada e serviu de base à criação da Região Demarcada.
De facto, foi graças ao nascimento da Confraria que a demarcação da região foi possível. “Foi há 40 anos,  que uma congregação de homens e vontades que há décadas lutavam pelo enobrecimento da região se reuniram e constituiriam uma força imparável”, diria a propósito da Confraria que, “de forma una e coesa” foi criada para “defender incondicionalmente e promover dentro e fora de portas o território da Bairrada, os seus vinhos e as suas gentes”.
Célia Alves não esqueceu também aqueles que, ao longo destas quatro décadas, com o seu contributo, permitiram que, hoje, “a Bairrada seja uma referência vitivinícola e os seus vinhos sejam justamente reconhecidos como referências”. Recordou confrades e confreiras, de uma longa lista de notáveis (antigos e atuais presidentes da república, ex- primeiros-ministros, ministros, secretários de estado, académicos, professores universitários, médicos, arquitetos, jornalistas e grandes senhores do vinho) que ajudaram a Bairrada a crescer.
 
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