A Bairrada evocou todo o setor do vinho, de norte a sul do país, e envolveu-o numa onda de positividade. Num vídeo de dois minutos, intitulado ‘No setor do vinho: fortes e unidos, vamos resistir’, é deixada uma mensagem de apoio e de esperança, num repto de união. A Comissão Vitivinícola da Bairrada (CVB) acredita que, se o setor se mantiver forte e unido, ultrapassará as dificuldades que o surto do novo coronavírus está a impor a todos, e neste caso em particular, na produção e comercialização de vinho.

O vídeo está disponível desde segunda-feira em várias redes sociais (no Youtube, em Bairrada.Oficial; no Facebook, em Bairrada; e no Instagram, em Bairrada.Oficial) e na página oficial da CVB.

O vídeo não se dirige apenas aos produtores da Bairrada, tendo imagens cedidas por regiões demarcadas de vinha e do vinho de todo o país, e será mais tarde divulgado, também, em plataformas do Ministério da Agricultura.

“[Com singularidades muito próprias em cada região vitivinícola], hoje, mais do que nunca, é importante mantermo-nos unidos! Do Minho ao Algarve, da Madeira aos Açores, vamos resistir, unidos! Portugal sabe que pode contar com a Bairrada e, na Bairrada, sabemos que podemos contar com Portugal! Até lá, temos que nos manter fortes e unidos!”. Estes são apenas excertos do que se pode ouvir no vídeo e que pretendem servir de motivação para outros setores e áreas.

A campanha é lançada numa altura em que o mercado apresenta “sinais preocupantes de desaceleração na produção e comercialização”, disse o presidente da CVB, em declarações à Agência Lusa.

Pedro Soares afirmou que o impacto das medidas para conter a propagação da COVID-19 começa a fazer-se sentir nas empresas de produção de vinhos, que na sua maior parte limitaram a atividade, negociaram férias com os funcionários, recorreram ao ‘lay-off’, ou “deslocalizaram’ trabalhadores de produção para trabalhos no campo, preparando a nova safra.

A maior parte dos grandes produtores da Bairrada, região com 6.500 hectares de vinhas, que lidera destacada a venda de espumantes em Portugal, optou por encerrar ao público, mantendo entre portas o engarrafamento de vinhos, a produção da próxima colheita e criando ou reforçando soluções de comércio eletrónico.

Pedro Soares defende que pode vir a ser necessária uma intervenção do Governo para garantir a sobrevivência do setor, lembrando que daqui a poucos meses será feita nova vindima.

“É preciso que o Governo pense numa intervenção no mercado, nomeadamente para conseguir a destilação de vinho”, defende Soares. O objetivo será transformar o vinho que não foi escoado pelo mercado em álcool e álcool gel, que poderá ser usado em hospitais e outras unidades de saúde.