Ao contrário do que está a fazer nos lares de idosos, a Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA) recusa-se a cooperar com o governo na realização de testes COVID-19 aos profissionais das creches das IPSS, que abrem na próxima segunda-feira, dia 18 de maio. O presidente da CIRA, José Ribau Esteves, considera que o processo foi desencadeado de forma “desestruturada” e apenas nos últimos três dias, sem que estivessem “minimamente reunidas as condições necessárias para a desejável cooperação institucional” que envolveria a participação da CIRA e dos seus Municípios neste processo “de contornos pouco claros”. Deste modo, o processo será apenas gerido pelo Instituto da Segurança Social (ISS) de Aveiro.

De acordo com Ribau Esteves, a decisão do governo foi tomada sem que o Ministério do Trabalho e da Segurança Social “tivesse estabelecido qualquer contacto oficial prévio com a CIRA ou com as Câmaras Municipais da CIRA, ao contrário do que aconteceu nos Lares em que tudo foi tratado com contactos prévios e oficiais, e executado com o devido e atempado planeamento e trabalho de equipa entre entidades”.

3 mil testes em lares

Já em relação aos testes COVID-19 nos lares da região, a CIRA, em conjunto com os centros de saúde, hospitais e a Universidade de Aveiro (UA), estão a levar a cabo a “Operação Testes Lares / MTSSS – UA”, através do qual planeiam realizar 3 mil testes COVID-19 a idosos e funcionários de 50 lares da região. Esta operação, em estreita ligação ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS), está a ser realizada em 10 dos 11 municípios da CIRA, ficando de fora Ovar, pelas suas especificidades na gestão da COVID-19.

Nesta operação, a CIRA (em articulação com os Municípios) planeia a execução dos testes; o Agrupamento de Centros de Saúde do Baixo Vouga (ACeS-BV) ficou responsável pela operacionalização e as colheitas nos Lares; e a UA, em colaboração com o Centro Hospitalar do Baixo Vouga (CHBV), realiza as análises laboratoriais e o processamento dos resultados com o ACeS-BV e com o CHBV. Refira-se ainda a capacidade da UA em instalar uma nova unidade laboratorial COVID-19 na sua Escola de Saúde.

Dos 3 mil testes acima referidos, cerca de 670 vão ser realizados até ao final do presente mês de maio, terminando assim uma primeira volta de testes nos Lares da Região de Aveiro. A CIRA pretende que este trabalho prossiga com uma segunda volta (desde já), “continuando a garantir a utilização correta dos Testes como ferramenta de trabalho na boa gestão de uma das principais populações de risco no que respeita à Covid-19: os Nossos Idosos e os Profissionais dos Lares”, sublinha o presidente da CIRA, José Ribau Esteves.

Os responsáveis destas quatro entidades envolvidas, CIRA (Presidente Ribau Esteves), ACeS-BV (Diretor Pedro Almeida), CHBV (Presidente Margarida França e Diretor Clínico Frederico Cerveira) e UA (Vice-Reitor Artur Silva), têm realizado duas reuniões por semana para gerir este processo que, segundo Ribau Esteves, tem decorrido “com um elevado nível de qualidade, eficiência e espírito de equipa”.

O presidente da CIRA enaltece “o bom trabalho realizado pelas quatro entidades envolvidas nesta operação, com a colaboração fundamental dos dirigentes das IPSS onde se realizam os Testes, demonstrando a importância do trabalho de equipa, e dando por esta via mais um bom exemplo da importância de se capacitar a Região de Aveiro com um Centro Hospitalar com a devida qualidade, executando a ampliação e qualificação do Hospital de Aveiro com construção de uma unidade de ambulatório e de uma unidade de centro académico clínico (integrando a UA), no quadro do CHBV, qualificando também os Hospitais de Águeda e Estarreja”.

Recorde-se que a CIRA é composta por 11 municípios: Águeda, Albergaria-a-Velha, Anadia, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Murtosa, Oliveira do Bairro, Ovar, Sever do Vouga e Vagos.