É na pequena aldeia da Póvoa do Forno, no concelho de Oliveira do Bairro, que fomos encontrar um promissor vitivinicultor-engarrafador.
Com uma produção anual a ultrapassar já os 30 mil litros de vinho, Paulo Ferreira está determinado a consolidar um projeto que começou pelas mãos do pai, era ainda menino.

O gosto pelo campo, sobretudo pelas vinhas, corre-lhe nas veias e esta paixão começa agora a ter notoriedade.
Foi no ano de 2002 que, de uma forma séria, começou a dedicar-se apenas à vitivinicultura.
Agora, com 40 anos, conquista a sua primeira medalha – de prata -, com espumante bruto Declynio Rosé 2017. Sendo esta a primeira vez que participa num concurso de vinhos, confessa-se muito satisfeito e vê o prémio como “um alento e confiança” para continuar, apesar dos tempos conturbados em que vivemos.

Breve história
Tudo começou numa pequena adega familiar, o mais artesanal que se possa imaginar. “Das vinhas colhiam as uvas que depois transformavam em vinho, que era vendido a granel e em garrafão, diretamente ao consumidor final”, recorda.
Nesta altura eram quatro a cinco hectares de vinha, de onde se tirava parte do sustento para a família.
Hoje, o projeto assume contornos diferentes e está a crescer a olhos vistos. Paulo Ferreira Wines é a marca que criou para comercializar os seus vinhos, produzidos já com outros cuidados e tecnologias.
Possui cerca de sete hectares de vinha (própria e arrendada) na Póvoa do Forno, assim como já colocou em marcha um plano de novas plantações de 1,5 hectar este ano e para o ano mais um hectar (Chardonnay, Arinto e Touriga Nacional), destinadas especificamente à produção de espumante, mas sempre com o apoio e sabedoria do pai que, na vinha, vai acompanhando a evolução do ciclo vegetativo das videiras.
Já lá vão cinco anos desde que os espumantes começaram a assumir maior relevo, obrigando a obras na adega que se foram sucedendo à medida que o projeto crescia.

Nova adega a caminho
Já equaciona construir uma nova unidade de produção, porque “o caminho aponta nesse sentido”, mas porque para além dos espumantes, os vinhos tranquilos (branco, tinto e rosé) começam também a ocupar o seu espaço.
A designação “+ Não Digo”, foi o nome escolhido para as três referências novas (branco, tinto e rosé) que serão lançadas até ao final deste ano no mercado.
“Declynio” foi a designação escolhida para os espumantes que são também três (Branco, Baga/Bairrada e Rosé).
Anualmente engarrafa cerca de 13 mil garrafas de espumante, mas na calha está já a vontade de se lançar na criação de um novo perfil de espumantes, diferentes e num patamar e gama mais elevados.
Este é o caminho que quer seguir, pois reconhece que “só com qualidade seremos valorizados”.
Por isso, a sua maior aposta está nos espumantes. “A estratégia passa por separar as melhores uvas para aproveitar o que tenho de melhor para fazer esse produto.” Por outro lado, “temos vindo a criar condições para começar a ter um produto de referência na região”, diz, determinado em não ser mais um, mas a conseguir diferenciar-se num mercado tão competitivo como é o dos vinhos e espumantes: “hoje, uma marca só pela diferenciação, apostando em castas da região e com um conceito de espumante bem definido, pode vencer”, sublinha Paulo Ferreira, que gostaria de ver os seus espumantes a serem consumidos em todas as regiões do país.
O próximo passo passa pela certificação dos espumantes para que possam ostentar a designação DOC Bairrada. Por isso, acrescenta: “todo o projeto de espumantes assenta na Baga”, não fosse esta a casta de referência na região.