Uma infestação de moscas levou a Autoridade de Saúde Local a determinar a suspensão do serviço de refeições escolares, por não estarem reunidas as condições necessárias de higiene e segurança alimentar, e o Agrupamento de Escolas de Vagos a cancelar as atividades letivas durante a tarde de quinta-feira, 24 de setembro, em sete estabelecimentos de ensino do concelho.
No dia seguinte, a câmara municipal identificou um foco suscetível de estar na origem da anormal concentração de insetos: uma acumulação de camas de aves proveniente de um aviário, acompanhada de cadáveres de galinhas.
De acordo com Hugo Martinho, diretor do Agrupamento de Escolas de Vagos, a presença de moscas já tinha causado constrangimentos no serviço de refeições no dia anterior, mas ter-se-á agravado durante a manhã de quinta-feira. Perante o aumento do número de insetos, o responsável solicitou a presença da Autoridade de Saúde Local e da câmara municipal de Vagos para avaliar as condições do estabelecimento. A avaliação concluiu que “não estavam garantidas as condições necessárias de higiene e segurança alimentar” devido ao “número elevadíssimo de moscas”.
Sem condições para assegurar a confeção e o serviço das refeições em condições de segurança, o Agrupamento decidiu suspender as atividades letivas durante a tarde na Escola Secundária de Vagos, onde a concentração de insetos era mais elevada, e nos restantes estabelecimentos servidos pela cozinha daquela escola: a Escola Básica Dr. João Rocha – Pai, as escolas básicas de Lombomeão, Soza e Salgueiro e os jardins de infância de Soza e Salgueiro. As refeições previamente adquiridas para esse dia não foram cobradas, sendo o respetivo valor reposto no cartão digital dos alunos.
Resíduos de aviário na origem do foco
Por volta das 12h de sexta-feira, 25 de setembro, na sequência de informações prestadas por munícipes, a câmara municipal de Vagos localizou um foco suscetível de estar na origem da infestação, num terreno próximo da Escola Secundária e da USF – Unidade de Saúde Familiar – Senhora de Vagos. No local encontrava-se uma acumulação de camas de aves provenientes de um aviário, bem como cadáveres de galinhas.
Perante a descoberta, o serviço municipal de Proteção Civil mobilizou o Veterinário Municipal e a GNR/SEPNA, tendo sido adotadas medidas para remover o material e controlar a presença dos insetos. De acordo com Rui Cruz, presidente da câmara de Vagos, estavam no local “resíduos de galinhas, ovos e estrume de aviário”, que foram retirados pelos serviços municipais e encaminhados para um local adequado.
Na reunião da Assembleia Municipal realizada no mesmo dia, o autarca garantiu que a fonte do problema estava “eliminada”, embora ainda permanecesse no terreno uma elevada quantidade de moscas. “Está eliminado a fonte do problema, agora falta dissipar o problema em si”, declarou Rui Cruz, explicando que a remoção dos resíduos não significaria o desaparecimento imediato dos insetos.
Após a remoção do material, a câmara municipal procedeu à rega intensiva da área, como medida adicional de controlo, e à pulverização dos edifícios mais próximos. Por razões preventivas e devido à proximidade da intervenção, a Escola Secundária de Vagos e a USF foram temporariamente seladas durante os trabalhos, tendo retomado posteriormente o funcionamento.
O SEPNA está agora a desenvolver diligências para identificar os responsáveis pela deposição dos resíduos no terreno e Rui Cruz já afirmou que o município pretende imputar os custos da intervenção a quem venha a ser responsabilizado, mantendo o acompanhamento da situação no terreno.
