Foram aprovadas por maioria, com a abstenção da vereadora Ana Matias (PS), as normas específicas do Concurso Municipal de Ideias de Negócio nas Escolas 2026 – “Anadia Challenge”.
Integrado no projeto global “Educar para o Empreendedorismo”, o concurso arranca já este ano letivo e é direcionado aos alunos do 12.º ano de três estabelecimentos do concelho: Agrupamento de Escolas de Anadia, Escola de Viticultura e Enologia da Bairrada e Colégio Nossa Senhora da Assunção.
Segundo explicou em entrevista ao JB a vereadora Cristina Azevedo, “mais do que incentivar a criação de empresas, este projeto procura preparar os jovens para os desafios da vida ativa”. A responsável salienta que o objetivo passa por “contribuir para a formação de cidadãos mais proativos, responsáveis e capacitados”, procurando também “desafiar os jovens a olhar para o concelho como um espaço de oportunidades”.
As candidaturas ao concurso decorrem entre 15 de novembro e 15 de dezembro de 2026. Para que os estudantes possam ser desafiados a “passar da ideia à concretização”, o município promoverá sessões de capacitação e mentoria, abordando temas como modelos de negócio e literacia financeira.
A autarquia quer que os jovens “compreendam o que é necessário para transformar uma ideia numa solução viável”.
Apesar da aprovação, o formato do concurso mereceu críticas da vereadora socialista. Justificando a sua abstenção, Ana Matias considerou que criar um concurso de ideias de negócio com prémios monetários é uma “abordagem extremamente redutora e desajustada da missão e do objetivo de um sistema educativo”.
A autarca do PS defendeu que a escola não deve preparar os jovens apenas para o mercado de trabalho, frisando que as áreas artística, humanística e científica têm um valor próprio que não depende do “retorno financeiro”. Adicionalmente, criticou a regra que condiciona o financiamento das escolas ao número de candidaturas , algo que a “choca bastante”.
Na resposta, o presidente da autarquia, Jorge Sampaio, reforçou que a medida não é isolada e foi articulada com a comunidade educativa. Clarificando que “o empreendedorismo tem de ser trabalhado também nas escolas. O objetivo não é que os alunos criem negócios, mas sim prepará-los para o futuro, num mundo cada vez mais competitivo”. Frisando ainda que, “se conseguirmos que tenham noção que as coisas na vida têm que ser conquistadas e não caem do céu já valeu a pena”.
Do lado da oposição, também José Carlos Menezes, do Chega, sugeriu que “o júri possa ser constituído por empresários de vários setores, do concelho e de fora dele”.
Para dinamizar a comunidade escolar, foi instituído um prémio de participação de 1500 euros para cada escola. Havendo igualmente galardões para os alunos com os melhores projetos. O município quer que o projeto se estenda aos alunos de vários anos letivos, a partir do primeiro ciclo.
