Às 10 horas de sábado, dia 31 de outubro, Isabel Costa, vendedora de pão e bolos, já estava “quase sem produto”. Tinha trazido mais do que na semana anterior, quando esgotara a quantidade que costumava levar para o antigo mercado. “Não podia prever que fosse tão bom”, conta.
Desde a abertura do novo Mercado Municipal de Águeda, a 23 de outubro, comerciantes de diferentes áreas dizem ter notado mais procura. A inauguração oficial está marcada para esta sexta-feira, dia 6 de novembro, com a presença do ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida.
“Hoje, já tive aqui pessoas de Santa Comba Dão, de Mortágua e da Serra do Caramulo que vieram de propósito a Águeda para visitar o mercado”, relata a comerciante. Diana Soares, que vende enchidos e queijos, também nota a boa afluência – “As pessoas estão a gostar, os clientes dizem que está um espaço bom, que tem de tudo” –, assim como a florista Catarina Martins, que confirma que tem visto mais pessoas a circular, algumas curiosas com as novas instalações. “A verdade é que não imaginava que ia ficar tão bom”, confessa.
A melhoria das condições é, aliás, uma ideia recorrente entre os vendedores ouvidos pelo Jornal da Bairrada. João Coelho, talhante, considera que o mercado está “muito bem estruturado”. “É um espaço amplo, com condições fantásticas, tem tudo o que é preciso”, afirma. Fernando Póvoa, vendedor de frutas e legumes, também destaca as novas instalações. “O novo mercado de Águeda está muito bonito e tem tudo o que nós precisamos. Até clientes! E isso é o mais importante”, comenta.


A mudança pôs fim a um período de vários anos nas instalações provisórias, durante os quais vendedores e clientes tiveram de “adaptar rotinas” e “ajustar métodos de trabalho”, recorda João Coelho. Para Diana Soares, os contentores eram difíceis tanto no pico do calor – “era um efeito de estufa tremendo” – como nos dias mais frios.
Pedro Nabais, cuja peixaria da família está no mercado de Águeda há 50 anos, lembra que, apesar do espaço pequeno, os clientes continuavam a fazer ali as suas compras. Quanto ao novo espaço, receia que possa estar sobredimensionado para os dias com menor movimento. Para a sexta-feira e o sábado, habitualmente, os dias com maior afluência – ainda mais em vésperas de Dia de Finados, em que muitas pessoas se deslocam ao mercado para comprar flores e, segundo Pedro Nabais, “acabam sempre por levar outros produtos” –, o comerciante considera o espaço adequado. “Como se pode ver, o mercado está cheio”. Durante a semana, porém, nota que nem todos os comerciantes estão presentes e admite que o mercado possa parecer grande demais.

Catarina Martins aponta a conclusão das obras no exterior como prioridade para melhorar os acessos e aumentar os lugares de estacionamento que, nos dias de maior afluência, “fazem muita falta”. Pedro Nabais reconhece que haverá “sempre coisas a melhorar ou a afinar”, mas diz ter “boas expectativas para o futuro”. “É sempre quando acabamos de construir uma casa que nos sentimos finalmente prontos para a começar a construir”, ilustra.
Recorde-se que a empreitada começou em 2022 e sofreu uma interrupção prolongada devido a problemas no projeto inicial. O município rescindiu litigiosamente o contrato com o projetista e lançou novos procedimentos. O investimento ultrapassa os oito milhões de euros e contou com financiamento comunitário através do programa Centro 2030. O edifício tem 6 778 metros quadrados de área de construção e mais de 70 espaços destinados a comércio, restauração e serviços.
Por agora, o rés-do-chão reúne a atividade comercial, com bancas de produtos frescos e agrícolas, talhos, peixarias, floristas e espaços de venda de bacalhau e leitão. O primeiro piso, ainda sem lojas abertas, deverá acolher serviços da Autoridade Tributária e da AdRA – Águas da Região de Aveiro –, além de áreas de restauração e uma esplanada.
Os comerciantes esperam que a afluência se mantenha. “Agora, esperemos que as pessoas adiram durante toda a semana”, deseja Diana Soares. João Coelho apela a que todos os vendedores contribuam para que os clientes se sintam acolhidos e que, “todos juntos, possamos fazer deste mercado o coração da cidade”.
