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Salvador Carvalho

Estudante de Relações Internacionais na FEUC

Sejamos exigentes

As falhas nos exames nacionais mais do que um erro, colocaram em causa o acesso ao ensino superior, decisões que moldam o futuro de milhares de jovens. Ainda assim, depois da indignação inicial, instalou-se o silêncio, aceitámos os atrasos, desculpas e alterações de calendário como se fossem inevitáveis.

Talvez o problema não seja apenas o sistema, talvez seja também a forma como nos habituámos a aceitar que o nosso futuro dependa da incompetência de quem tem o dever de o proteger.

Noutros países, a reação foi diferente, na Índia, perante suspeitas de fraude e irregularidades no exame nacional de acesso à Medicina, milhões de estudantes recusaram o conformismo, organizaram manifestações que levaram à demissão do Ministro da Educação, não aceitando assim que anos de trabalho fossem reduzidos a uma questão de sorte ou de falhas do sistema.

Não se trata de protestar por tudo, trata-se de saber distinguir o que é intolerável. Quando o Estado falha num momento que pode definir o percurso académico de milhares de jovens, não bastam pedidos de desculpa, exigem-se consequências e garantias de que não voltará a acontecer.

Uma democracia forte não se constrói com cidadãos resignados, constrói-se com cidadãos exigentes, e o futuro de uma geração nunca pode ser tratado como uma roleta russa administrativa.