Fomos eliminados do Mundial pela Espanha com um golo madrugador aos 90 minutos. Dói? Claro que dói. Mas a verdadeira dor de cabeça nacional não está nos relvados de Dallas. Está por cá, no fumo que já se começa a cheirar e que, infelizmente, já sabemos como acaba.
Mais um verão e o cenário repete-se. O país a arder de lés a lés, famílias a perderem o suor de uma vida inteira
em poucas horas, e os nossos “líderes” muito ocupados, de férias, a ver a bola e a comer pica-pau, enquanto a floresta vai abaixo.
Desde miúdo que a música é a mesma. O país arde, o povo chora, e os políticos vêm à televisão com ar grave recitar as mesmas falas de sempre: “medidas vão ser tomadas”, “ações estão em curso”. Parece um autêntico disco riscado que já ninguém tem paciência para ouvir. Nada muda porque não convém que mude. No meio popular, toda a gente sabe que estes fogos não nascem espontaneamente. Eucalipto que arde mais fácil é mais rentável. Prevenção custa. Reconstrução dá votos. E quem gosta de juntar as peças do puzzle, sabe perfeitamente quem ganha com o país em cinzas.
No fim, a seleção volta para casa de avião, os ministros voltam para as suas praias e o Zé Povinho fica a limpar as lágrimas e o carvão do quintal. É a nossa eterna sina.
