É, talvez, penoso sairmos do nosso cubiculozinho, onde nos vamos entretendo, no dia a dia, com problemas pessoais comezinhos, olhando o deambular dos mais próximos e esquecendo as desgraças que grassam pelo mundo além.
Podemos até lamentar situações catastróficas que nos apavoram e fazem temer e tremer. Lemos jornais e ouvimos noticiários televisivos e até julgaremos, por vezes, que tudo não passa de uma orquestração para nos abstermos do que há de grave ou se encherem colunas de papel, como, ainda, dar ênfase às imagens do visor, à nossa frente.
Nestes tempos é fácil passarmos as nossas umbreiras e viajar pelos vários Continentes e, num abrir e fechar de olhos, ficarmos embrulhados em tudo quanto é drástico neste planeta.
Porém, qual é o nosso sentimento perante tamanha negatividade humana que atinge tanto os pobres e ricos, como o mundo do trabalho e da cultura, da crença e da falta de Fé, de desporto ou da arte?
Certamente, nem sempre daremos apreço aos esforços dos quais se ouve falar, feitos em ordem a poder-se debelar a ruína e a morte.
Os difíceis problemas humanos universais parecem aumentar com o (sub)desenvolvimento cultural de parte da Humanidade que se convencerá nada ter a ver com quanto se passa fora dos âmbitos populacionais de alguns cantos.
Claro que sempre assim acontecerá, mas, uma vez mais bem informados, tudo isso nos deveria incomodar interiormente, lembrando a possibilidade de descobrir alguns meios de ajuda. Há campanhas de recursos com o fito de eliminar determinados estragos mundiais.
Mas é muito pouco, convenhamos.
Alguns “leaders” internacionais vão suscitando convénios para haver resoluções nos casos mais intricados e, mesmo
assim, nalgumas circunstâncias, acabam por recrudescer outras dificuldades e
crueldades.
Eu pertenço, como tu e muita gente, a uma Igreja preocupada por alertar as consciências e fazer que as comunidades se sintam empenhadas em lançar os diversos laços de ajuda. Mas nada substitui a preocupação pessoal quando, imprudentemente, nos alheamos dos
acontecimentos infelizes, pensando que tudo decorre longe de nós.
O amor com que Deus nos dotou deverá fazer atualizar sempre o espírito da solidariedade que não pode nunca acabar.
O Papa atual, como os seus antecessores também fizeram a seu tempo, convida-nos a parar e refletir sobre o empenho ou descuido em relação aos problemas globais que ocorrem nestes nossos tempos.
Destaco a figura deste Pastor da Igreja Católica, não desprezando a doutrinação dos outros que passaram, porque me impressionou a sua postura e preocupação por tudo, aquando nos concedeu – a mim e aos colegas de Curso – um encontro com simplicidade, serenidade e convicções firmes.
Entendemos bem o seu modo de analisar este tempo que vivemos, até porque dialogou connosco, usando a Língua Portuguesa, e se preocupou em prender a nossa atenção nas vicissitudes ateias mundiais.
Ele faz admoestações diárias. É Pastor que procura alimentar a preocupação de os cristãos do mundo inteiro não deixarem de se condoer, de alguma forma, com os outros irmãos nossos que padecem as incompreensões ou perseguições movidas por quem perdeu a identidade de humanos verdadeiros. Ele afirma-se, com verdade e no porte, conhecedor da profusão de problemas prementes e interage relativamente a muitos países aos quais não vende armas, mas procura transmitir o incentivo da esperança, esforçando-se por semear o amor, a fraternidade, o respeito pela vida, a paz.
Com as preocupações que exterioriza em todas as direções, estimula-nos a cruzar e alargar os nossos olhares, abrangendo quem sofre, atrozmente, por esse mundo além.
