Celebrámos há poucos dias o 10 de Junho, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades. Mas, entre discursos oficiais e paradas militares, fica uma questão: o que é que nos define como país, quando parte
dos portugueses, e do talento que formamos, já não vive aqui?
Portugal deixou de ser, há muito, um retângulo à beira-mar plantado. Somos um arquipélago espalhado pelo mundo. De Toronto ao Luxemburgo, de Genebra a Angola, a “pátria” hoje é uma rede de fibra ótica, saudades digitais e gente que mantém viva a nossa língua a milhares de quilómetros. O problema é que, cá dentro, continuamos presos a um passado mítico, alimentando uma nostalgia que
nos cega para o presente, enquanto o nosso futuro está, literalmente, a embarcar no aeroporto.
“Ser português” tornou-se um exercício de malabarismo. É manter a raiz onde o solo é pouco fértil e tentar esticar os ramos até onde a vida é possível.
Se o 10 de Junho serve para alguma coisa, que sirva para entender que Portugal já não se mede em quilómetros quadrados, mas na capacidade de acolher quem fica e de manter ligados os que, por necessidade ou ambição, tiveram de partir. Sem eles, seríamos apenas um museu com vista para o mar.
