Nas últimas semanas, dificilmente se falou de outro assunto que não fossem os exames nacionais. Entre notícias, debates, declarações políticas e milhares de publicações nas redes sociais, criou-se uma enorme polémica em torno de um processo que envolve milhares de alunos. Escrevo este artigo não como especialista nem como político, mas simplesmente como aluno, como alguém que fez os exames, esperou pelas notas e viveu toda esta ansiedade.
Ao longo destes dias, multiplicaram-se as críticas ao Ministro da Educação. Se tivesse oportunidade de lhe dirigir uma palavra, seria “obrigado”. Não por motivos partidários, mas porque considero que, na Educação, foram dados passos importantes. Na minha opinião, conseguiu reabrir o diálogo com os professores e avançar em matérias que durante anos permaneceram bloqueadas. Naturalmente, nem tudo correu bem. Nenhuma reforma nasce perfeita. Errar, corrigir e melhorar faz parte de qualquer processo de mudança.
É precisamente por isso que me custa ver parte da oposição transformar cada dificuldade numa arma política. Criticar é essencial numa democracia, mas também é justo perguntar o que foi feito durante tantos anos para resolver problemas como a falta de professores ou a desvalorização da profissão. O Partido Socialista governou em circunstâncias muito difíceis durante a pandemia, e esse mérito deve ser reconhecido. Contudo, muitos dos desafios que hoje discutimos não nasceram agora.
Também a comunicação social merece reflexão. Informar é indispensável, mas transformar cada atraso ou erro numa crise nacional apenas aumentou a ansiedade de alunos, pais e professores. Quando está em causa o futuro de milhares de jovens, é fundamental existir rigor e responsabilidade.
Relativamente ao novo modelo digital de classificação, tenho uma opinião diferente da que mais se ouviu. Apesar dos problemas iniciais, considero que representa um avanço. O sistema elimina tarefas burocráticas, permite que cada professor corrija apenas uma parte específica da prova e reduz a influência da avaliação de um único corretor, tornando a classificação mais subjetiva.
É verdade que este modelo também levanta dúvidas. No entanto, continuam a existir mecanismos de reapreciação e, quando há erros objetivos e claros, existem soluções previstas sem prejuízo para os alunos.
Seria desonesto afirmar que tudo correu bem. Houve atrasos, dificuldades técnicas e aspetos que poderiam ter sido melhor preparados. O próprio Ministério reconheceu alguns problemas e introduziu alterações entre a primeira e a segunda fase. Na minha opinião, também a comunicação pública poderia ter sido mais clara.
O que mais me preocupa é ver a Educação transformada num campo de batalha política. Um tema desta importância devia unir mais do que dividir. Todos os partidos têm responsabilidades na situação atual da escola pública. Em vez de procurar culpados, talvez fosse mais útil procurar soluções. E, por muito que me custe, temos de politizar a educação. Infelizmente, mas temos. Porque é assim que Portugal funciona.
Termino com a mesma mensagem que fui repetindo aos meus colegas durante estes dias: manter a calma. As notas acabaram por sair, muitas dúvidas foram esclarecidas e o processo seguiu o seu caminho. Esperar nunca é fácil quando está em causa o nosso futuro, mas, por vezes, é a única atitude sensata. Espero que toda esta polémica sirva para melhorar o sistema educativo e não apenas para alimentar confrontos políticos.
