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Navega Rodrigues

Anadiense

António José Seguro, seis meses de governação

Passado já mais de meio ano (!) desde a sua tomada de posse, chega o tempo de fazer um breve balanço sobre António José Seguro e a sua forma de governar. Mas pergunto: para além das férias em Porto Covo e de umas pretensas conversas com Montenegro acerca do Ministro Luís Neves, alguém sentiu a sua presença? Será Seguro um Presidente invisível?

Seguro é o tipo de Presidente da República que um Primeiro-Ministro adora. Menos ativo que a antiga Rainha de Inglaterra, Penamacor fez nascer um homem que quase não se move, apenas, e, raramente, deambula. Como foi possível falar tão pouco sobre o caos que se instalou nos exames de acesso ao ensino superior? Falar menos, era quase impossível.

Podem dizer-me, que já está a trabalhar para ser eleito para um segundo mandato. Não, de maneira nenhuma. Seguro será sempre assim! Passámos de um Presidente da República hiperativo, que falava sobre tudo e sobre nada, que estava em todo o lado e que, assim, vulgarizou o cargo, para um outro, que é quase o seu contrário. Há quem goste deste tom super fleumático e de low-profile. Porém, a conjuntura do País exige outro perfil de Presidente da República, pois estamos perante um governo que não tem maioria absoluta e que está a governar mal (infelizmente, com muita pena minha), com André Ventura (à custa disso) sempre a subir nas sondagens.

Seguro tem de sinalizar falhas, políticas, desígnios e estratégias, tornando-se num verdadeiro personagem político, sem nunca ser protagonista. Porém, tem de cumprir os “mínimos”. Não pode, nem adormecer, nem ser sonâmbulo. E Seguro tem tantas tarefas a desempenhar!

Seguro foi o homem que o PS não quis como líder e foi eleito como Presidente da República num golpe de sorte, porque de forma inexplicável à primeira volta a direita se fragmentou e canibalizou em vários candidatos e porque à segunda volta não era possível permitir que um candidato de extrema-
direita ganhasse. Porque, com os outros candidatos de direita, à segunda volta, Seguro, mesmo com o apoio (diga-se envergonhadíssimo) do PS, certamente teria perdido. Para muitos, não foi um voto em Seguro. Foi sim, um voto contra André Ventura.

E sendo Seguro como é, mete medo se houver uma ameaça de crise política. Seguro não parece ter ascendente psicológico e capacidade de influenciar ninguém. Com um governo sem maioria absoluta, o País precisa de um Presidente da República que, quando fale, seja efetivamente ouvido. Seguro tem de se impor, não pelo medo ou temor reverencial que possa incutir, mas pelo respeito que tem
de infundir. E passados mais de seis meses sobre a sua tomada de posse, Seguro ainda nem sequer iniciou esta sua tarefa!