O comendador José Manuel (Joe) Berardo foi investido no último sábado, no Palace do Buçaco, durante a realização do 32.º Capítulo da Confraria dos Enófilos da Bairrada, confrade honorário desta que é a mais antiga confraria báquica portuguesa.
Juntamente com o empresário e coleccionador de arte, foram também investidos sete confrades de mérito (alguns provenientes do Brasil) e oito confrades efectivos, entre os quais Gil Nadais, autarca de Águeda, os vereadores da autarquia anadiense, Aníbal Ferreira e Rosa Maria Tomás – única mulher investida -, e o presidente da Junta de Freguesia de Avelãs de Cima, Manuel Veiga (ver página 39).

Relançar espumantes. Na oportunidade, Fernando Castro, presidente da Confraria, numa alocução intitulada “Bairrada amanhã, vinho e não só” destacou que, ao longo dos tempos, muita coisa tem mudado, nomeadamente “os gostos das pessoas, os mercados e as regras que regem o sector”. Daí que a Bairrada vitivinícola tenha feito um esforço de adaptação “que é inevitável”, não só ao nível do mercado nacional, mas também internacional, onde a concorrência é agressiva. Por isso, entende que a região deve “apresentar produtos diferentes dos concorrentes e que possam acrescentar valor”, até porque os consumidores “se vão desinteressando pelo que é demasiado vulgar”.
Segundo o presidente da Confraria, a Bairrada tem “muito boas condições para a produção de excelentes vinhos base para espumantes que podem melhorar a sustentabilidade económica do sector”. Por isso, defende que se reveja os perfis dos espumantes, assim como se impõe a produção de espumantes de elevada qualidade, “renegando a vulgaridade”. Aos presentes deixou bem claro que só desta forma a região “poderá aspirar continuar a ser uma referência no sector dos espumantes e contribuir para a continuidade e progresso da vitivinicultura na região”. No Buçaco, apelou à elaboração de um Roteiro Enoturístico Bairradino, assim como a um Enoturismo que “seja um cluster para a economia da região e que projecte o relançamento dos seus vinhos”.
Contundente quanto baste, não deixou de lamentar a postura de uma larga franja da restauração bairradina, que se esquece dos vinhos produzidos na região e prefere “entregar-se, absurdamente, à venda de vinhos de outras procedências, por vezes altamente desapropriados, e à venda ilegal de vinhos sem rótulo, com total passividade das autoridades fiscais e económicas”.

Engrandecer a Bairrada. Pelos novos confrades, o edil aguedense, Gil Nadais, sublinhou que a Confraria defende valores muito importantes para a região, por isso “todos se devem empenhar para o seu engrandecimento”, até porque a região “tem dos melhores vinhos porque são dos mais difíceis de fazer, muito embora não tenham ainda a notoriedade que merecem”. Também o brasileiro Cacildo Gonzáles considerou que os vinhos da Bairrada têm “o poder catalizador, das boas reacções e emoções”.
Já Celestino Almeida, em nome dos velhos confrades, numa viagem à história e alma bairradina, destacou as virtudes dos solos bairradinos, dos terroirs e das castas que, nos últimos anos, têm possibilitado a produção de vinhos mais adaptados ao mundo global. “Vinho de excelente qualidade, aroma intenso e complexos, fruto de um chão específico que se saboreia”, diria ainda a respeito dos vinhos produzidos na Bairrada.

Paixão à primeira vista. Joe Berardo mostrou-se muito honrado por ser confrade honorário de uma das mais antigas confrarias do país. Aos presentes falou da sua paixão pela Bairrada: “quando propuseram a nossa entrada no capital da Aliança, de imediato, fiquei encantado pelas caves, pela região e pela sua gastronomia”. Quanto ao seu contributo para o engrandecimento da região, destacou o investimento realizado na Aliança e na abertura do Underground Museum. O comendador falaria ainda da paisagem única da Bairrada e das suas gentes “amigas, trabalhadoras, dedicadas e que bem sabem receber”.

Catarina Cerca