O Centro Social da Pedralva, na freguesia de S.Lourenço do Bairro, acaba de completar, em Setembro, uma década de vida ao serviço da comunidade, sobretudo dos mais idosos.
Com lotação esgotada em Apoio Domiciliário (30 idosos) e Centro de Dia (35 idosos), a instituição prepara-se para alargar o acordo com a Segurança Social para o Centro de Dia em mais cinco utentes, depois de há dois anos ter feito o alargamento no Apoio Domiciliário.
Numa década ficou pelo caminho o apoio à infância. O ATL já não abriu este ano na medida em que a única Escola Básica do lugar já não abriu portas neste ano lectivo.
“Tínhamos cinco meninos e este ano a escola fechou, não se justificando a continuação deste serviço”, adiantou Licínio Simões, presidente da direcção, que acrescenta não ter sido necessário dispensar pessoal, uma vez que as pessoas afectas a esta valência foram integradas na instituição onde trabalham actualmente 18 pessoas.
Daí, pretenderem, em Janeiro do próximo ano, alargar o horário no Apoio Domiciliário. O serviço prestado das 8 às 18h30, de segunda a sexta-feira, deverá ser alargado até às 21h, por forma a dar resposta às necessidades de um grupo de utentes que está numa situação mais delicada. “Queremos diminuir as necessidades dos utentes, proporcionando melhor resposta social e mais bem-estar a alguns idosos que vivem sozinhos, cujo grau de dependência começa a ser grande”, revela Teresa Rodrigues, directora-técnica do Centro, sublinhando que para estes “a instituição e as suas funcionárias são a única família de retaguarda que conhecem”, acrescentando que a instituição está apostada em servir este público alvo mais desprotegido. Ao final de semana e feriados, o apoio (higiene pessoal, habitacional, aquisição de bens e serviços, apoio medicamentoso) será prestado no horário normal, das 8 às 13h.

Lar, a grande prioridade. O balanço de uma década de existência não poderia ser mais positivo e gratificante, não só porque conseguem dar resposta às solicitações, mas porque têm conseguido crescer de uma forma sustentada.
“Precisamos dar um apoio mais efectivo a um grupo de utentes cada vez mais dependente e isolado”, diz Licínio Simões, dando conta de urgência da construção de um Lar de Idosos. Os terrenos existem e situam-se nas traseiras da instituição. Os projectos de arquitectura e especialidades estão aprovados mas falta o principal: a verba. “O Lar vai custar cerca de um milhão de euros”, diz, dando conta que “queremos candidatar-nos a algum programa mas temos indicação de que até ao final do ano não será possível. Só haverá eventuais programas em 2012. Vamos aguardar e estar atentos”.
Com capacidade para 30 camas, o Lar aliviaria o Centro de Dia e o Apoio Domiciliário, pois a direcção desta IPSS sente que para muitos idosos esta é a única alternativa ao seu isolamento e solidão. “Sempre que um utente entra na instituição, parece que a família delega em nós toda a responsabilidade por aquele utente, sendo certo também que o apoio da família de retaguarda é cada vez menor”, diz Teresa Rodrigues, acrescentado que “deste lado do concelho apenas Poutena tem Lar, o que é insuficiente”.
“Temos uma grande lista de espera para o Lar que ainda não foi construído, assim como idosos com grande dependência e para os quais a valência de Lar é uma necessidade absoluta”, acrescenta, revelando que se trata de um lugar caracterizado por uma população envelhecida, em processo de desertificação e ainda de forte emigração.
Contudo, reconhece que nos tempos que correm as famílias estão a braços com dificuldades várias, sentindo também já a instituição o atraso no pagamento de algumas mensalidades de utentes. “Temos utentes com pensões muito baixas, que têm de pagar muitos medicamentos, mais caros. Por mais que estiquem o dinheiro não chega”, diz. Por isso, o atraso de 10 ou 20 dias no atraso do pagamento de uma mensalidade é coisa que já não é novidade. Uma situação que causa algumas dificuldades de gestão, já que os custos fixos desta IPSS não param de aumentar, enquanto que as receitas não acompanham, obrigando a uma gestão bastante controlada.

Falta de verba. Para fazer face a estas situações, contam com o apoio da comunidade local com quem mantêm uma relação muito próxima. “Temos um grupo de pessoas voluntárias extraordinário”, diz Licínio Simões, admitindo que para uma obra tão arrojada como é a do Lar, terão de fazer vários peditórios pela freguesia, não pondo de parte uma deslocação aos EUA para pedir a colaboração à comunidade bairradina ali emigrada, que “tem sido de uma grande generosidade” para com a instituição.
Em curso está igualmente o processo de certificação de qualidade, que deverá estar concluído em meados do próximo ano.

Catarina Cerca