Começam a ser visíveis as obras de reabilitação da “casa amarela”, futuro Centro Paroquial e de Cultura de Mogofores. Uma recuperação complexa e vasta (exterior e interior), bem como dispendiosa, que leva o pároco José Fernandes, também ele director do Colégio Salesiano de Mogofores, a lançar um desafio e apelo à generosidade da população de Mogofores e amigos da paróquia para que continuem a ajudar, por forma a que dentro de poucos meses, esteja em funcionamento.
O imóvel, centenário, terá pertencido ao conselheiro Manuel Ferreira de Seabra da Mota e Silva, 1.º e único barão de Mogofores (1787-1873). Mais tarde esteve nas mãos da Congregação de S.José de Cluny e posteriormente passou para a ordem religiosa salesiana. Nesta antiga mansão, durante largas décadas, funcionaram os serviços da paróquia, cartório, catequese e ali residiu também o pároco. Mas só há cerca de uma década, este palacete passou para poder da paróquia. Contudo, o peso dos anos e a falta de manutenção fizeram com que o imóvel entrasse num estado de degradação muito grande. Infiltrações, humidade, apodrecimento das madeiras e degradação das paredes, ditaram a desactivação deste espaço em 2006, altura em que aqui já só funcionava a catequese que, por questões de segurança, passou a realizar-se, provisoriamente, no Colégio Salesiano.

Obras de vulto. As obras começaram no ano passado. Uma empreitada difícil já que o mau estado de conservação da “casa amarela” obrigar a uma reabilitação profunda, total.
O sonho do padre José Fernandes é o de devolver a esta mansão toda a dignidade e beleza de outrora, tornando-a num espaço acolhedor e pólo dinamizador de cultura, que possa acolher, por exemplo, conferências, mas também tornar este espaço um centro de cultura; um local de apoio à aprendizagem, mas também um centro voltado para as energias renováveis (estão em estudo parcerias) para aqui funcionar, por exemplo, um curso sobre energia eólica e fotovoltaica.
Aqui vão voltar a funcionar os serviços paroquiais, o cartório, a catequese e a residência paroquial. Mas, o mais importante será dotar o imóvel das condições necessárias para acolher um espaço cultural, único na região.
As obras começaram pelo exterior. Primeiro, o telhado, depois o reboco e pintura do exterior, devolvendo-lhe a grandiosidade de outros tempos. As madeiras das janelas, algumas já sem vidros, obrigaram à substituição de toda a caixilharia optando-se por um perfil de alumínio e vidro duplo. Sob orientação do arquitecto Joaquim Armindo, a obra vai avançando. E, se é certo que já é possível imaginar o quão bela vai ficar, é também fácil de perceber (com uma breve visita ao interior) que aqui ainda terão de ser gastos muitos milhares de euros. O interior labiríntico do imóvel a isso obriga, já que o seu estado de degradação é grande. Nos três andares, existem vários desníveis, uma quantidade infindável de salas, quartos e salões que deixam perceber que depois de pronto será, com certeza, um dos mais belos centros paroquiais e culturais da região.

Obra acarinhada por muitos. A obra tem, de resto, sido acarinhada por muitas pessoas. O pároco José Fernandes fala de várias dádivas anónimas, mas também de um grupo de “padrinhos” e “madrinhas” da “casa amarela”. “Um grupo fantástico, trabalhador, incansável que dá o corpo ao manifesto pela concretização da obra”, diz, dando conta de que, no próximo dia 3 de Dezembro, terá lugar o primeiro concerto a favor desta obra (ver caixa).
Mas para levar a obra a bom porto são precisos ainda vários milhares de euros que só trabalho voluntário, dádivas e a generosidade da população poderão ajudar a alcançar. “Muito se tem feito na base do voluntariado, pois se assim não fosse a obra não avançaria, uma vez que a paróquia não tem recursos”, conclui.

Concerto no dia 3 de Dezembro
∑ No dia 3 de Dezembro, pelas 21h, realiza-se mais uma iniciativa a favor da angariação de fundos para a reconstrução da “Casa Amarela” – Centro Paroquial e de Cultura de Mogofores. Desta feita, um concerto de música clássica com a soprano Carla Pais e a participação de Teresa Raminhos, Maria Lisa Batista, Irene Ferreira, Juliana Felix e Vânia Moreira. O evento terá lugar no Santuário Nossa Senhora Auxiliadora de Mogofores. Aqui fica o apelo e convite à participação da população.

Catarina Cerca