Mais de 40 empresas – num universo de 103 – da Zona industrial de Oiã (ZIO) já foram assaltadas, é a conclusão de um inquérito feito pela Associação Comercial da Bairrada (ACIB) e que foi apresentado, em Oiã, na penúltima quarta-feira, aos empresários daquela zona industrial. O inquérito foi efetuado entre os dias 9 e 17 de janeiro, com o objetivo de fazer uma caracterização da ZIO e perceber quais os problemas de segurança com que se debatem os empresários.

Segundo Clara Oliveira, coordenadora da ACIB, 65% dos empresários que responderam (90 empresas) considerou que a ZIO não é segura, até porque 57% das empresas já foram assaltadas. E destas, 36% não apresentaram queixa na GNR, enquanto que 41% dos ouvidos teme pela segurança dos seus colaboradores.

Necessidades. Neste estudo, os empresários elencaram a falta de policiamento, comunidade de ciganos, falta de vigilância, falta de iluminação, arruamentos e fácil acesso à ZIO como os principais problemas que merecem ser analisados. Em contraponto, defendem que deviam ser implementadas medidas para minimizar a insegurança, mais vigilância, a retirada do acampamento existente, a colocação de mais iluminação e ainda a implementação de vigilância eletrónica.

Os empresários (81%) dizem que se sentiriam mais seguros se tivessem vigilância do guarda-noturno, no entanto, apenas 49% estariam disponíveis para comparticipar o serviço. Já 35% não responderam e 16% disseram que não estavam disponíveis para comparticipar o serviço dos guardas-noturnos.

Redução. O capitão do Destacamento da GNR de Anadia, Tiago Silva, deu a conhecer que, no caso concreto da freguesia de Oiã, registou-se uma redução nos crimes contra o património, nomeadamente de 191 (2010) para 181 (2011), apelando a todos os empresários que apresentem queixa sempre que forem alvo de criminalidade.

O capitão frisou ainda que “o importante não é discutir estatísticas, mas chegarmos a um acordo, já que a responsabilidade é das forças de segurança, mas não morre nas forças de segurança”. “Cada furto que aconteça, por mais pequeno que seja, que seja participado à GNR”, reforçou.

Carlos Ferreira, vereador do pelouro da segurança, disse não acreditar “na redução dos furtos”. “Somos confrontados com uma redução do número de participações, o que eu não acredito”, afirmou o autarca, confessando “a dificuldade que a Câmara tem tido na identificação dos proprietários dos terrenos onde se encontra a comunidade cigana”.

Condomínio fechado. O presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro, Mário João Oliveira, disse estar disponível para analisar todas as soluções propostas pelos empresários. No entanto, defendeu que “os empresários devem ser proativos”, sublinhando que “é importante que sejam apresentadas as queixas, já que é a partir dos elementos estatísticos, muitas das vezes, que se decide o reforço dos elementos da GNR”.

O autarca afirmou ainda estar disponível para “fazer um condomínio fechado e encerrar alguns arruamentos. Mas têm que estar de acordo todos os empresários”. “Disponibilizei-me para apoiar o que for necessário para que o serviço seja bem feito, pois luto por salvaguardar o património”, garantiu o edil oliveirense.

União. A presidente da ACIB, Emília Abrantes, perante a fraca adesão dos empresários, sublinhou que estes “não se podem demitir de participar. “Os senhores empresários demitiram-se de participar. Os que estão aqui preocupam-se com aquilo que se passa, porque já foram vítimas de muitos incómodos. Isto revela uma falta de coerência e de responsabilidade no preenchimento dos inquéritos. Temos que ser todos responsabilizados”, disse a líder da ACIB.

Emília Abrantes referiu ainda que “não podemos olhar só para a nossa quintinha. Somos tão pequenos, como é podemos levar às entidades superiores que o nosso sistema judicial tem que ser alterado, se não apresentarmos as queixas e não estivermos todos juntos vai ser difícil”.

Pedro Fontes da Costa
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