“Esta é a ditosa pátria minha amada” e “Levantai hoje de novo o esplendor de Portugal” serviram de mote a mais umas Jornadas Culturais, promovidas nos passados dias 19 e 20 de abril, no Colégio Nossa Senhora da Assunção, em Famalicão – Anadia.
As jornadas, que são consideradas “o rosto da escola”, envolveram toda a comunidade educativa e os cerca de 820 alunos do Colégio que, durante dois dias, ficaram e deram a conhecer a pátria em todas as suas riquezas, mas também a (re)conhecer melhor os feitos e glórias que imortalizaram vários heróis lusitanos.
No entanto, as jornadas pretenderam ainda despertar consciências para que todos “na rua, no local de trabalho, em família ou na escola, desenvolvam ações no sentido de um Portugal melhor e diferente”.
“Juntos, iremos conhecer, valorizar, transformar e melhorar para levantar de novo o esplendor de Portugal”, diria Idalina Faneca, diretora pedagógica do Colégio na sessão de abertura, destacando ainda as 13 oficinas interativas (uma por cada ano de escolaridade), dinamizadas por professores e alunos: “são oficinas muito criativas e que dão a conhecer a riqueza de cada região do país”, num trabalho fruto da pesquisa e trabalho realizados ao longo do ano.
O evento contou ainda, no primeiro dia, com uma conferência proferida pelo Tenente General Chito Rodrigues que, a convite do Núcleo de Oliveira do Bairro, da Liga dos Combatentes, falou do tema: “Levantai hoje de novo o esplendor de Portugal”.

Espetáculo único. A sessão de abertura das Jornadas Culturais, realizada logo às 9h, teve como palco o ginásio do Colégio. Durante mais de uma hora, alunos e professores brindaram todos os presentes com um espetáculo único, de grande beleza e criatividade. Os presentes foram convidados a “embarcar na viagem inesquecível, onde o passado e o presente coabitam numa simbiose perfeita”. “O que vais ver a seguir são pedaços de ti, da tua alma lusitana. Apaixona-te e levanta hoje de novo o esplendor de Portugal”, diria a professora Maria José Tavares, narradora do espetáculo.
Num evento que celebrou Portugal e que conduziu os presentes “por esta ditosa pátria muito amada” foram homenageados os feitos maiores dos portugueses, aqueles que por mares nunca antes navegados, em perigos e guerras esforçados, mais do que prometia a força humana, entre gente remota edificaram (como escreveu Luís de Camões) tantos sonhos, tanta vontade, tanto mundo, tanta partilha”.
Logo no início, Maria José Tavares realçaria que os portugueses foram pioneiros e impulsionadores da globalização. “Evoquemos um património que é de toda a humanidade. Celebremos a alma lusitana que Portugal imprimiu e continua a imprimir no mundo”, diria.
Entravam em palco quatro jovens alunas para a dança da bandeira a que se seguiu a projeção de imagens sobre o passado do país. Um dos momentos mais marcantes foi a entrada em cena de vários marinheiros (alunos), num barco (de andaimes) com cordas e redes, a proporcionarem um belo momento de recriação histórica, sem esquecer o magnífico momento de ginástica com que brindaram os presentes.
Personagens como: D. Afonso Henriques, Infante D. Henrique, Camões, Marquês de Pombal e Fernando Pessoa, Vasco da Gama foram recordados. Também a Escola de Sagres não foi deixada para trás. Esta que era, na altura, um centro da arte náutica, comandada pelo Infante D. Henrique, tornou-se o mais importante centro de estudos de navegação da época.
O terramoto de 1 de novembro de 1755, que varreu Lisboa, foi projetado no palco. Foram ainda recordadas datas como o 25 de Abril, o escudo, a seleção, as festas e tradições, as touradas, o galo de Barcelos, os ovos moles de Aveiro, os passeios de moliceiro na ria de Aveiro, os calceteiros e a típica calçada portuguesa, o fado, a universidade, a tecnologia, a energia solar e eólica, a indústria do calçado, da cortiça, os setores agrícola e leiteiro, a viticultura e o nosso imenso litoral/praias.

Um exemplo. Na ocasião, Jorge São José, presidente da Associação de Pais, destacou que, de facto, “Portugal pode ainda recuperar todo o esplendor que teve no passado”. Para isso, “é necessário transportar para o país e seguir o exemplo do que são estas Jornadas Culturais que, sem grandes recursos e orçamentos, conseguiram com muito empenho, dedicação, esforço, trabalho e criatividade fazer umas jornadas fantásticas”.
As jornadas acabaram como começaram; com uma adaptação de “Os Lusíadas”, num espetáculo fantástico realizado no passado dia 20, no ginásio do Colégio, que envolveu cerca de 250 alunos em palco.

Catarina Cerca
catarina@jb.pt