Uma mulher, de 30 anos, começou a ser julgada no Tribunal de Oliveira do Bairro pela, alegada, prática de dois crimes de maus tratos a menores. A mulher, residente na altura no Troviscal e agora na Quinta do Perdigão, começou a sair à noite com a filha, na altura com um ano, deixando-a no interior do carro, enquanto ia à discoteca, às tascas e aos bares.
A partir de 2006, quando a menina tinha quatro anos, começou a bater-lhe em várias partes do corpo, porque esta urinava na cama durante a noite. Segundo a acusação, a arguida, Adriana Sofia Tavares chegou a obrigar a menor a tomar banho em água fria como castigo de urinar na cama.

O Ministério da Público acusa ainda a arguida de não se preocupar com a higiene da menor, nomeadamente na roupa que vestia, assim como a roupa da cama, já que não lhe mudava os lençóis molhados com urina, tendo a menor que o fazer por sua iniciativa.

A arguida chegou, entre setembro a dezembro de 2006, quando mantinha um relacionamento amoroso, a deixar a menor a dormir sozinha em casa, entregue a si própria, enquanto permanecia nos bares.
Geralmente, sempre que a arguida e o namorado chegavam a casa, a menor acordava, quebrando o seu descanso noturno e, muitas vezes, a meio da noite, a menor era objeto de agressões físicas por parte da arguida, quando esta se apercebia que tinha urinado na cama.

Casa desarrumada. Neste mesmo espaço temporal, Adriana Sofia Tavares deixava a casa desarrumada, acumulando louça por lavar durante dias. Enquanto isso, a menor tomava o pequeno-almoço, indo ao frigorífico e comendo o que ali se encontrava, nomeadamente iogurtes, deambulando pela casa, tratando da sua higiene e vestindo-se sozinha, enquanto que a sua mãe ficava na cama até às 11h.

Entretanto, em 2007, a arguida é mãe de novo, deixando o menor, ainda de tenra idade, à guarda e cuidados da irmã.
Os maus tratos continuariam, assim como, raramente, os menores comiam a horas, sendo que muitas vezes o almoço era dado entre as 14 e as 15h.

Numa das ocasiões em que a menor urinou na cama, a arguida empurrou-a em direção à mesma, esfregando-lhe a cara no colchão molhado com urina.

Entretanto, a arguida começou também a agredir o outro filho, desferindo-lhe bofetadas na cara, o que lhe provocavadores, fazendo com que o mesmo chorasse por longo tempo.

Os dois irmãos, agora aos cuidados de uma instituição, chegavam tarde à escola e apresentavam-se sujos na escola, sem roupa adequada à estação.

No tribunal, Adriana Tavares negou os maus tratos, confessando que, às vezes, tratava a sua filha por “porca” e que não tinha, ao fim de semana, vontade para lavar a louça.

Garantiu ainda que a sua filha não efetuava nenhum tipo de tarefas domésticas. “Só a ensinava a fazer a cama e a lavar os dentes”, confessando, no entanto, que “às vezes era ela que me pedia para fazer algumas tarefas, como lavar a louça”, afirmou a arguida, desmentindo os relatórios elaborados pelas técnicas. “As doutoras que estão ali fora, não têm nada que se meter comigo”, disse a arguida.