João Nogueira Almeida, natural de Mogofores, nomeado presidente do Conselho Consultivo do Hospital Distrital de Anadia, mostrou-se preocupado com o momento atual que o país atravessa, nomeadamente no que diz respeito à perda de valências e serviços “num mundo em que pensávamos tê-los como adquiridos”. O assistente da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra diz que é preciso que “o poder político perceba que as pessoas têm direito a ter um conjunto mínimo de valências” e que “é angustiante ver diminuir serviços de proximidade”, tais como postos de polícia, correios, centros de saúde e hospitais. “É uma vergonha que uma criança portuguesa vá nascer a Badajoz”, sublinhou, não deixando de referir ainda que “a centralização de competências é uma decisão errada” uma vez que existem serviços que, sendo de proximidade, “podem ser prestados de uma forma muito melhor”.

Preocupações. Esta e outras preocupações foram elencadas por este responsável durante a cerimónia pública que deu a conhecer, na penúltima quarta-feira, a equipa que integra este novo órgão, que entrou em funções em julho de 2012.
O Conselho Consultivo do Hospital de Anadia, que tem um mandato de três anos, terá como principais funções apreciar os planos de atividades e financeiros anuais do Hospital e emitir recomendações que devem ter em vista a melhoria dos serviços prestados às populações.
Na cerimónia, que contou com a presença do presidente da Assembleia Municipal de Anadia, Luís Santos; presidente da Comissão Política do PSD Anadia, José Manuel Ribeiro; líder da bancada da CDU na Assembleia Municipal de Anadia, João Morais; provedor da Santa Casa de Misericórdia de Anadia, Carlos Matos e presidente da direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Anadia, Mário Teixeira, João Nogueira Almeida salientaria ainda tratar-se de um órgão não remunerado.
“Podem não ser poderes de grande alcance mas este é um órgão que pode ter acesso a informação que o Conselho de Administração pode não ter tão facilmente”, disse, dando como exemplo o contributo que os representantes das Assembleias Municipais podem dar nesta matéria. Daí querer deixar “uma pequena pegada” que torne o Hospital mais visível, contribuindo para a melhoria no atendimento à população.

Conselho Consultivo. Os três principais nomes (presidente e vogais) foram nomeados pelo Ministro da Saúde, sob proposta do Conselho de Administração do Hospital. Para além de João Nogueira Almeida, integram-no Pedro Simões Carvalho, médico aposentado e ex-diretor do Hospital de Águeda e a professora universitária Ema Almeida. A estes três nomes juntam-se ainda três vogais designados pelas Assembleias Municipais (dos municípios com mais ligação ao Hospital) de Anadia, Oliveira do Bairro e Mealhada, respetivamente os médicos Jennifer Nunes Pereira, Gilberto Martins Rosa e Manuel Jacinto Silva. Fazem ainda parte do Conselho Consultivo um representante por cada um dos grupos profissionais do Hospital de Anadia.
O Hospital de Anadia é um dos poucos, a nível nacional, que passa a ter um Conselho Consultivo.

Hospital sem dívidas a fornecedores contrata médicos a 10 euros/hora

À margem da cerimónia de apresentação pública dos membros do Conselho Consultivo (ver notícia nesta página), Maria João Passão, presidente do Conselho de Administração do Hospital Distrital de Anadia, destacou que o balanço da atividade do Hospital no ano de 2012 é positivo, na medida em que este terminou o ano sem dívidas a fornecedores e com pagamentos a 30 dias, contrariando o que se passa em muitos hospitais, a nível nacional.

Por outro lado esclareceu que, ao contrário do que foi noticiado por um canal de televisão, a contratação de médicos a 10 euros/hora não foi para o serviço de Urgências (que já não existe no hospital), mas que se trata de médicos que estão em casa, de prevenção, e que só são chamados quando necessários. “Como temos em funcionamento uma Unidade de Convalescença, à noite, se um doente precisar, temos de mandar vir um médico, porque os clínicos que estão durante o dia não fazem noite”.

Tratou-se de um processo para a contratação de médicos em regime de prevenção a 10 euros/hora, sem especialidade. “O hospital recebeu sete propostas com valor inferior a 10 euros, tendo adjudicado a prestação do serviço por um valor inferior a 10 euros”, admitiu.

Para 2013 espera que todas as valências em funcionamento se mantenham, apesar da ligeira redução no orçamento de que vai dispor.

Catarina Cerca