No curto espaço de um ano, Vagos assinalou, em festa, as “bodas de ouro” sacerdotais de dois padres naturais do concelho. O primeiro foi monsenhor cónego Virgílio Resende, antigo secretário particular do falecido bispo do Porto. Ordenado presbítero a 24 de setembro de 1961 na igreja matriz de Vagos, Virgílio Resende serviu a paróquia de Ílhavo como vigário pastoral antes de partir para Faro com D. Júlio Tavares Rebimbas, que havia sido nomeado bispo do Algarve. Ao longo de mais de três décadas, acompanhou aquele prelado nas dioceses de Lisboa, Viana do Castelo e Porto.
No passado domingo foi a vez do pároco de Vagos, Pe. Manuel Carvalhais, que curiosamente seria o primeiro padre a ser ordenado por D. Manuel Almeida Trindade, que entrara solenemente na diocese de Aveiro uma semana antes, a 23 de dezembro de 1962.
A festa, organizada por um grupo de católicos, contou com a presença do bispo de Aveiro e alguns presbíteros. D. António Francisco Santos, que exaltou a importância da família na “descoberta e acompanhamento” da vocação do Pe. Manuel Carvalhais, presidiu à eucaristia de ação de graças tendo felicitado as comunidades cristãs de Vagos e das outras paróquias, onde aquele sacerdote prestou serviço.
O bispo de Aveiro, que integrou a homenagem na missão jubilar da diocese, marcou ainda presença no almoço que juntou para cima de duzentos convivas, entre os quais alguns convidados.

Sacristão homenageado. No decorrer do repasto, servido com música por intermédio dos fadistas Andreia Alferes e António Machado, foram entregues diversas lembranças ao padre Carvalhais, que congregou à sua volta três gerações, incluindo sobrinhos e irmãos. Homenageado foi, ainda, João Carlos Grave, que durante 40 anos exerceu, com “competência, humildade e grande espírito de fidelidade”, o ministério de sacristão.
Na sua intervenção, o prelado aveirense, que destacou a presença tão numerosa de amigos e familiares, considerou que o itinerário sacerdotal do atual pároco de Vagos constitui uma verdadeira “escola de esperança para o futuro”. Uma fé “trabalhada e calcorreada” pelo Pe. Batista, fundador do Colégio de Calvão, explicitou o bispo de Aveiro, que disse compreender as razões “por que terão surgido tantas vocações em terras de Vagos”.
Arcipreste de Vagos, o Pe. Carvalhais serviu, como vigário paroquial, as comunidades de Bunheiro, Branca e Águeda, e Castanheira do Vouga, Cacia, Águeda, Fermelã, Canelas e Vagos, como pároco. Foi, ainda, assistente diocesano da Juventude Operária Católica (JOC), capelão dos hospitais de Águeda e Estarreja e director do jornal Correio do Vouga. Na atualidade, para além de diretor do mensário Terras de Vagos, é conselheiro espiritual do Conselho Central das Conferências Vicentinas e defensor do Vínculo no Tribunal Diocesano.

Eduardo Jaques
Colaborador