A Mesa da Assembleia Municipal de Oliveira do Bairro de Oliveira do Bairro caiu, na última sexta-feira. Os secretários Gilberto Rosa e Inês Pato renunciaram ao mandato. Gilberto Rosa, sem referir nomes, alegou que o rodeiam sentimentos de deslealdade e de falta de integridade. Já Inês Pato bateu com a porta por solidariedade ao seu colega e ainda por ter sido posta em causa a credibilidade da mesa da assembleia.
Gilberto Rosa começou por explicar que “há dois tipos de pessoas – as que falam com tal facilidade que superam aquilo que pensam e aquelas a quem as palavras não conseguem acompanhar o pensamento, onde me incluo”. “Após a reunião do dia 18 de março da Comissão Política, com os elementos da bancada do PSD, certas atitudes fizeram-me repensar a minha participação nesta Assembleia”, afirmou Gilberto Rosa, acrescentando que se envolveu nas eleições há oito anos, “por acreditar na equipa jovem e na ação profunda que esta se propunha desenvolver no concelho”. “Considero que fomos bem-sucedidos, contudo sinto que, neste momento, a minha colaboração foi posta em causa.”

Capacidades. Gilberto Rosa contou ainda que “duvidaram, diretamente, das minhas capacidades para o cargo que ocupo nesta Assembleia, culminado com uma insinuação relativa a um excesso de habilitações académicas para o exercício do mesmo”.
Gilberto Rosa disse ainda ser curioso o facto de que “na política central se afastam colaboradores por falta de formação académica, enquanto que na política local, se anuncia, orgulhosamente, que não é necessária essa formação”.
Afirmou ainda ter pautado a sua vida, ao longo dos seus 40 anos de atividade profissional, por certos valores e ter “a sorte pela experiência da vida e pela idade, de poder continuar a respeitar esses valores”. Assim, “não por falta de condições anímicas, mas por sentir que me rodeiam sentimentos de deslealdade, falta de integridade, falta de espírito de equipa, é chegado o momento de me retirar e assim renuncio ao meu mandato”.

Solidariedade. Inês Pato, perante a retirada de Gilberto Rosa e “em respeito ao princípio da solidariedade”, também decidiu renunciar ao mandato, justificando, sem especificar, que “na política não pode valer tudo, uma vez que a credibilidade da mesa da assembleia foi posta em causa. Isto é: foram feitas referências graves ao desempenho da atual mesa, com as quais não me revejo”.
“Depois do que foi dito pelo meu colega Gilberto Rosa, a minha posição e porque me pauto pelo princípio democrático, não poderia ser outra”, afirmou, acrescentando que “o Dr. Gilberto escolheu o partido da liberdade e partilho com ele a mágoa”, acrescentou a autarca, que cumpria o segundo mandato na Assembleia Municipal.
Num clara alusão ao que se passou na reunião da concelhia, referida por Gilberto Rosa, Inês Pato sublinhou que “a credibilidade foi tirada por pessoas que não estão aqui presentes”.
Após a renúncia dos mandatos, foram efetuadas eleições, tendos os lugares sido ocupados por Carlos Viegas e Gladys Del Carmen.

Pedro Fontes da Costa
pedro@jb.pt