A Estação dos CTT de Mogofores abriu pela última vez ao público na quinta-feira, dia 30 de maio. No dia seguinte, e sem que nada o fizesse prever, já não abriu. Na porta, um aviso que apanhava os clientes desprevenidos, dava conta de que a partir daquela data os serviços postais passariam a ser assegurados pelo Posto dos CTT de Paredes do Bairro e pelos CTT de Anadia. Ao mesmo tempo, o aviso indicava que toda a correspondência avisada e de apartados é feita nos CTT de Anadia e que “todos os detentores de apartados serão contactados para enquadrar as demais soluções alternativas”.

Negociações. José Maria Ribeiro, presidente da Junta de Freguesia de Mogofores, está revoltado com a forma “como os CTT estão a tratar a população e a Junta de Freguesia”. O autarca admite que após algumas reuniões com os CTT, logo ficou esclarecido que a Junta não poderia assegurar este serviço, até porque só abre ao público uma vez por semana e não tem funcionários a tempo inteiro. Mesmo assim, “sempre dissemos que teriam o nosso parecer favorável, que entregassem os CTT a privados, com a condição de que não saíssem da freguesia”. Desse requisito nunca abriu mão e confirma que o a sua tesoureira da Junta de Freguesia, Isabel Pereira, esteve em diálogo com os CTT para ficar com o serviço. Mas também ela se sente traída e revoltada, já que, após vários contactos, também ela, na sexta-feira, por volta das 9h, deu de caras com a porta dos CTT de Mogofores encerrada.
Filha de carteiro (seu pai, Bernardino Almeida, já falecido, foi carteiro em Mogofores durante mais de três décadas), decidiu tudo fazer para que os CTT não saíssem de Mogofores: “Fiz uma proposta para ficar com os CTT”, revelando que a empresa só lhe oferecia 300 euros mais comissões/mês pelo trabalho que passaria a desempenhar. “É claro que fiz contas. Mesmo sendo no espaço dos CTT, eu teria de pagar água, luz, telefone, ter contabilidade, seguros. Gastaria muito mais do que os 300 euros que me queriam pagar”. Por isso, fez ainda uma contra-proposta: “pedi 600 euros pois teria muitos encargos à minha conta”, diz, lamentando que só um mês depois, quando telefonou à pessoa responsável pela rede de terceiros, ficou a saber que era pouco provável que a sua proposta fosse aceite. “Fiquei a aguardar um e-mail ou resposta por escrito que nunca chegou”, diz.
Agora, ambos lamentam a atitude dos CTT, “a enorme falta de respeito pela autarquia e pelas populações”.
José Maria Ribeiro acredita que muitos dos habitante ainda nem sabem do sucedido e que se a população decidir fazer algum protesto, a Junta de Freguesia estará a seu lado. “Não avisaram, nem sequer os detentores de apartados. Veja ao que chegámos neste país”, critica, sublinhando que em todo o processo “houve má fé” e que o encerramento, da noite para o dia, pretendeu evitar uma manifestação popular.
Explicação. Os CTT avançam que, neste processo, “privilegiaram o contacto com a Junta de Freguesia” que “não mostrou ter interesse em associar-se aos CTT na prestação do serviço”. Uma situação que levou a que se procedesse a contactos com vários particulares, como foi o caso de Isabel Pereira. “Não aceitou a proposta que lhe foi apresentada pelos CTT e fez uma contra-proposta, que pelo seu valor é incomportável para os CTT. Disso mesmo lhe foi dada nota oralmente”, referem os CTT em comunicado enviado ao JB, dando conta de que “os Correios efetuaram a transferência do serviço para os balcões de correios das proximidades”, não tendo sido excluída a possibilidade de voltar a “encetar negociações com a Junta de Freguesia ou negócios de proximidade”.

Catarina Cerca
catarina@jb.pt