Nada feito após duas tentativas para instalar os órgãos eleitos para a União de Freguesias de Paredes do Bairro, Amoreira da Gândara e Ancas. Certo é que, não havendo entendimento ou sido alcançado consenso (o prazo para entrega da composição dos órgãos eleitos, na Câmara Municipal, terminou no dia 23 de outubro) não restará outra solução que não partir para eleições intercalares nesta União de Freguesias (UF). Caberá agora ao membro do Governo responsável pela tutela das autarquias locais a marcação destas novas eleições, no espaço de 60 dias.
Ema Pato (cidadã melhor posicionada na lista do MIAP, vencedora nas Autáquicas) não conseguiu encontrar o desejado consenso entre os elementos da própria lista do MIAP, nem junto dos eleitos do PSD ou do PS.
Aparentemente, na base do desentendimento entre os membros do MIAP, está a fixação da sede desta União de Freguesias, em Paredes do Bairro, Amoreira da Gândara ou Ancas.

Derradeira tentativa. Na última segunda-feira teve lugar, na sede provisória (Paredes do Bairro) da União de Freguesias, a continuação da sessão da Assembleia de Freguesia (sexta-feira), visando instalar os novos órgãos autárquicos.
Após uma maratona de 5 horas, manteve-se o impasse porque, em fase de votação de listas para o executivo (Junta), nenhum membro efetivo eleito proposto em lista aceitou fazer parte do mesmo. Aquando da passagem para votação uninominal dos membros, após aceitação por parte de Anabela Santos, de Ancas (terceira da lista do MIAP), verificou-se novamente um impasse, uma vez que foi colocado em causa o facto de um elemento suplente (Bruno Santiago, também de Ancas) poder vir a ser votado para vogal (como terceiro membro do executivo), não tendo sido assim possível constituir a Junta de Freguesia nem, consequentemente, os órgãos da Assembleia de Freguesia.
Em conjunto, os membros efetivos eleitos (4 do MIAP, 3 do PSD e 2 do PS) para a Assembleia de Freguesia encerraram a sessão, com a assinatura de uma ata, por volta das 2h, dando conta de que era impossível constituir um executivo devido à falta de consenso, não restando outra solução que não partir para um novo ato eleitoral.

Primeira sessão. Refira-se que, na primeira sessão, no dia 18 (sexta-feira), em Paredes do Bairro, também não fora possível proceder à instalação dos órgãos eleitos, porque no âmbito da eleição dos membros vogais (Secretário e Tesoureiro) da Junta de Freguesia, e após proposta de lista de Ema Pato , o segundo membro da lista do MIAP (João Ferreira, de Paredes do Bairro) recusou integrar o executivo.
A JB, Ema Pato mostrou-se frustrada e até traída, nomeadamente pelo seu número 2, de Paredes do Bairro, João Nunes Ferreira, por este num primeiro momento ter aceite fazer parte do executivo e depois ter alterado a sua decisão.
Contactado por JB, João Nunes Ferreira não quis prestar qualquer declaração. Já Lídia Pato, candidata à UF pelo PS, confirmou ao nosso jornal não ser possível contrariar ou fazer tábua rasa de uma ata assinada por todos os eleitos, pelo que aponta como único caminho uma ida para novas eleições “ainda que nós tenhamos sempre tentado ajudar, no sentido de pacificar as hostes”. André Domingues, candidato pelo PSD, mostrou-se igualmente convicto de que só novas eleições são a solução para o problema criado. “Houve um procedimento legal [ata] que não é possível reverter. Qualquer procedimento nesse sentido seria ilegal. Nós, no PSD sempre fomos pela legalidade. O PSD venceu em Paredes do Bairro e em Ancas. Só perdemos Amoreira da Gândara. A nossa posição é que, face a este resultado, deveria estar um elemento da nossa equipa no executivo para que pudesse defender os interesses do eleitorado que votou em nós”.
Catarina Cerca
catarina@jb.pt