Uma relação de má vizinhança que se arrasta há cerca de duas décadas, em Oliveira do Bairro, acabou em julgamento, uma vez que uma mulher se terá sentido injuriada quando, alegadamente, o seu vizinho lhe terá disse “já tinha ido fazer a queixa ao Porto Clérigo”. No entender da queixosa, a expressão “fazer queixa ao Porto Clérigo” significa que o vizinho lhe estaria a chamar bêbada, já que é “na Cooperativa do Porto Clérigo que se faz o manifesto do vinho”.
A queixosa disse em tribunal que a expressão, alegadamente, proferida pelo seu vizinho, a ofendeu muito. Mais: “sinto-me ofendida na minha intimidade”, argumentou a queixosa, reforçando que “é muito grave o que foi dito”.
Quem não deu seguimento à expressão foi a juíza, que acabaria por inocentar o arguido, já que não foi feita prova do conteúdo difamatório da expressão, mas somente que “ambos mantêm uma má relação de vizinhança”.
Na leitura da sentença, a magistrada disse que a assistente apenas explicou suposições, enquanto que uma testemunha, arrolada por ela própria, prestou um depoimento contraditório. Aliás, um depoimento que valeu a esta testemunha a extração de uma certidão para procedimento criminal por falsidade de testemunho. “Testemunhos que surgiram fortemente comprometidos na sua credibilidade”, afirmou a magistrada, que não perdeu tempo em passar um raspanete a estes dois vizinhos: “Quando as pessoas não têm capacidade para conviverem naturalmente, viram as costas uns aos outros, já que têm esta opção de não se darem de todo e assim evitarem os problemas.”

Pedro Fontes Costa
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