Na última sexta-feira, decorreu mais uma das previstas entrevistas do ciclo “Tem a Palavra”, uma organização conjunta da Junta de Freguesia de Oliveira do Bairro e da ANOB. O início ficou em suspenso até que chegasse o fim do jogo Portugal-Arménia. Até aí, o público não era muito, mas com uma vitória no coração, começaram a chegar mais pessoas e a Cafetaria do Quartel das Artes compunha-se.

O entrevistado da noite foi o ex-comandante dos Bombeiros, António Mário Bastos, com rico e imenso currículo. A entrevista foi conduzida por Armor Pires Mota, durante 90 minutos. Falou de um longo percurso como comandante, 31 anos, e 35 de bombeiro, e já havia chegado à conclusão de que deveria ter saído mais cedo, há sempre um tempo certo. Confidenciou que um dos Inspectores do Porto lhe chamava “o comandante sorridente”, dado que se criara uma grande empatia e amizade entre ambos nos primeiros anos e, sendo assim, quando se lhe dirigia, tinha sempre a porta aberta. Efectivamente, António Bastos tem o ADN do sorriso, desde muito novo, assim sempre foi. Quanto a boas recordações, disse que as melhores, que guarda, são do tempo do primeiro quartel.

Além de empresário e sócio do grupo RECER, fundador do Núcleo da Cruz Vermelha de Oliveira do Bairro e do Rotary, foi também político. Fez quatro mandatos na Assembleia Municipal, três no tempo de Alípio Sol e um no tempo de Acílio Gala. Lembrou o respeito como decorriam as assembleias no tempo de Alípio Sol por quem, confessou, nutria muita admiração, porque, disse, era um “homem que amava o concelho” e que as duas maiores obras que deixou foi a criação (no papel) da Zona Industrial de Oiã e a criação da Comarca de Oliveira do Bairro. Reconheceu que estudava sempre muito bem os dossiers e era muito esforçado e trabalhador, sempre em defesa de Oliveira do Bairro, concelho. Mas fez uma revelação: quem primeiro foi convidado pelo deputado do PSD, o inesquecível Dr. Antídio Costa, foi ele próprio que recusou o convite, para se candidatar ao lugar nas primeiras eleições livres, porque sempre reconheceu que não tinha vocação política”, sobretudo para aquele cargo. E mais, confessou que jamais se arrependera de ter assumido essa posição, num tempo em que havia pouco dinheiro. Que faria mais de que Alípio, confessou não saber. Era tempo de pouco dinheiro…
APM