Jorge Moreira da Silva, ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia presidiu na terça-feira, dia 21 de abril, à inauguração da remodelação e ampliação da ETAR de Sangalhos, projeto financiado pelo Fundo de Coesão, da responsabilidade do município de Anadia.
Antes, nesta sua deslocação a Sangalhos, estivera no CAR – Centro de Alto Rendimento (Velódromo Nacional), onde encerrou a sessão de esclarecimento sobre a conclusão do POVT. Um evento anual onde foram apresentados os resultados relativos a sete anos de Programa Operacional Temático em Portugal.
Na ocasião, o ministro Jorge Moreira da Silva lembrou que Portugal já se encontra na fase do desenho dos projetos e que a transição do POVT para o PO SEUR foi uma forma de garantir uma transição eficiente de um quadro comunitário para outro, até porque muitas das matérias elegíveis no novo quadro resultam de apostas feitas no contexto do POVT.
Depois da aposta nas infraestuturas, o ministro do Ambiente defendeu que o país está “pronto para apostar no crescimento verde”.
Jorge Moreira da Silva falava das oportunidades de financiamento para o Crescimento Verde 2014-2020 através do PO SEUR. Em Sangalhos, referiu que “é incontornável apostas em todas as políticas que assegurem a esta e às próximas gerações o direito que lhes era devido do ponto de vista da qualidade de vida”. Por isso, “é preciso olhar para a área do ambiente como uma área de retorno económico e de benefício social”. Sobre o PO SEUR, referiu a aposta em “investimentos seletivos, em áreas estratégicas”, mas também em investimento produtivo capaz de gerar “uma reação catalítica a partir do investimento verde”. Uma área em que Portugal tem uma vantagem adicional, pelas reformas já efetuadas e pelo contexto europeu e internacional. Jorge Moreira da Silva disse ainda que o país tem, por isso, “garantias adicionais de que este investimento será produtivo”, na medida em que as reformas estruturais relevantes já foram feitas.
Como existe uma procura internacional cada vez maior por bens e serviços verdes do ponto de vista transacionáveis, “Portugal pode beneficiar da vantagem de ser pioneiro e tem neste momento ao nível de infraestruturas, recursos e condições para competir e vencer à escala internacional”, afirmou, concluindo que “o crescimento verde ganhou uma centralidade completa na estratégia nacional”, tendo o país “o desígnio de liderar a economia verde, assumir o objetivo de liderança do crescimento verde à escala internacional”.
Também Helena Pinheiro Azevedo, gestora do Programa Operacional de Valorização do Território, destacou a importância do evento para esclarecer dúvidas sobre o instrumento para encerramento dos projetos, partilhar as regras, por forma a ajudar os projetos a ser encerrados com pleno sucesso.
Na sessão de boas-vindas, a edil anadiense Teresa Cardoso falou da grande festa de encerramento do POVT e do Velódromo, infraestrutura que considerou ser um bom exemplo dos vários investimentos realizados no âmbito deste programa operacional.

PROJETOS DE SUCESSO

A autarca Teresa Cardoso apresentou os resultados do POVT no concelho de Anadia, com destaque para o Centro de Alto Rendimento (CAR), Sistema Autónomo de Saneamento de Couvelha e Sistema Integrado de Drenagem de Águas Residuais do Concelho de Anadia.
Relativamente ao saneamento, a edil anadiense destacou o facto do Sistema Autónomo de Saneamento de Couvelha servir as povoações de Póvoa da Preta, Samel e Couvelha, num total de 469 habitantes. Uma obra de 313 mil euros e comparticipada em 266 mil euros. Já o Sistema Integrado de Drenagem de Águas Residuais do Concelho de Anadia, atingiu 8 milhões e 900 mil euros, comparticipado pelo POVT em 6 milhões e 260 mil euros. Uma obra que veio beneficiar 28 localidades e 5.473 habitantes. “Anadia tem hoje uma taxa de cobertura de saneamento de 96%, integrados no sistema do Cértima e do Levira, apoiados no âmbito do POVT”, referiu a edil.
Mas foi sobre o CAR – Velódromo Nacional, um investimento na ordem dos 11,6 milhões de euros e com financiamento na ordem dos 9,1 milhões de euros através do FEDER, que mais falou. Um equipamento desportivo que, em quatro anos e meio de atividade, já recebeu atletas de 47 países.
Uma obra construída em tempo recorde, face à sua dimensão (iniciada em maio de 2007 e inaugurada a 11 de setembro de 2009), inteiramente justificável por ser a primeira pista coberta no país.
A autarca destacou ainda as vertentes desportiva, histórica e económica de Sangalhos que justificaram a sua implantação nesta freguesia. Sangalhos tem história no ciclismo e com bastante sucesso, assim como a economia da vila se desenvolveu na indústria das duas rodas. A centralidade foi outras vantagens que destacou.
Teresa Cardoso falou ainda do impulso no turismo desportivo e no facto do CAR estar a conseguir atrair muitos estágios, competições e federações estrangeiras que trazem grande número de pessoas, que aqui ficam instaladas vários dias ou semanas, nas excelentes unidades hoteleiras existentes do concelho.
A edil falou ainda da aposta da autarquia no reforço a esta infraestrutura, com a construção de uma pista olímpica de BMX “aqui ao lado”. “Será uma pista única também no país face às suas características”, acrescentou, sublinhando que o CAR é, hoje, a residência de cinco modalidades (ciclismo, ginástica, judo, esgrima e trampolins), mas que poderá vir a ser também a do pentatlo, cuja experiência parece estar a correr muito bem.
Obras, diria, “impossíveis de realizar sem os fundos comunitários”.

Catarina Cerca
catarina@jb.pt