O novo diretor dos Salesianos de Mogofores é o Padre Aníbal Afonso. Tem 77 anos e é ex-aluno deste Colégio. Sucede ao Padre José Fernandes que, durante nove anos, ocupou esta função, passando agora, em exclusivo, a pároco da freguesia.
A JB, o Padre Aníbal Afonso revela que é a quarta vez que passa por Mogofores: estudou neste Colégio, na década de 50, mais concretamente nos últimos dois anos, antes de ir para o noviciado, fez aqui uma experiência de educação, lecionando desenho e fisico-química e mais recentemente fez parte de uma equipa vocacional constituída por três padres, que aqui residiu durante algum tempo.
Regressa agora com a função de diretor e diz ter ficado muito surpreendido com a escolha da sua pessoa: “custou-me bastante. Com esta idade teria preferido continuar mais dois ou três anos em Poiares da Régua ou pensar em repouso, em descanso. Mas temos de aceitar ordens superiores e a missão que nos confiam”.
Diretor em Poiares há seis anos estivera também em Lisboa, nas Oficinas de S. José, casa-mãe dos Salesianos.
As saudades do Colégio de Poiares da Régua e de toda a comunidade educativa são uma realidade, mas com um novo ano letivo à porta, sabe, como poucos, que é tempo de arregaçar as mangas. Para já, é preciso conhecer bem as rotinas de Mogofores, a forma de trabalhar, reunir com todos – salesianos, docentes e pessoal não docente. Contudo, admite que guarda no coração a forma como foi recebido no último sábado, com missa presidida pelo Provincial e com muitos amigos, docentes, membros da família salesiana e gente da comunidade, a que se seguiu um jantar de boas-vindas.
Revela que o principal desafio passa por tentar implementar em Mogofores a maneira de trabalhar da equipa educativa de Poiares e que tem dado muito bons frutos e que possibilitou o incremento do número de alunos. “Sei que, sendo uma comunidade educativa bem mais pequena, se torna difícil fazer coisas fora do tempo letivo”, mas “é preciso cativar mais alunos para o colégio. Em Poiares conseguimos e as turmas do 5.º e 6.º ano têm todas 30 alunos. O facto de ter aqui uma oferta educativa grande e diversificada é um dos problemas que enfrentamos.”
Mas como escola pública e gratuita, o Padre Aníbal Afonso tem “grandes expetativas em relação ao novo ano letivo”, sendo uma das suas prioridades “criar um ambiente familiar, acolhedor entre salesianos, docente, pessoal não docentes, alunos e famílias. Promover o entendimento e a comunhão, mas sobretudo cativar os alunos. Se isto se conseguir, o resto vem por acréscimo”, diz.
A JB diz ser o seu maior receio o medo de falhar e não conseguir levar a planificação que se fizer por diante.

Padre José Fernandes mais disponível para a paróquia. Natural de Sobrado do Valongo, o Padre José Fernandes, aos 66 anos, assume em exclusivo a função e que mais gosta – ser pároco. Contudo, a sua passagem pelo Colégio deixa marcas profundas. Este padre, psicólogo de formação, foi responsável pela inovação pedagógica implementada e por um trabalho intenso de aproximação e união entre salesianos, direção, corpo docente e não docente e alunos.
A JB faz um balanço muito positivo destes nove anos à frente dos Salesianos de Mogofores. Diz-se “contente mas insatisfeito”. Porquê? “Porque toda a comunidade educativa foi fantástica em tantos aspetos – pedagógicos, educativos e espirituais. Fizemos um trabalho muito bom a nível humano, porque o nosso ranking é humano.” A insatisfação prende-se com o facto de “haver ainda muito caminho a fazer”, ou seja, “a nossa proposta educativa é integral e o projeto prevê que os alunos se tornem aprendentes autónomos. É preciso trabalhar mais na pedagogia de projeto, embora tenhamos miúdos já com bastante autonomia”, diz, lamentando as “muitas condicionantes que vão existindo pelo meio”.
Sai com a noção do dever cumprido, sublinhando a existência de um corpo docente estável e identificado com a filosofia salesiana. Agora, as suas prioridades passam por fazer avançar as obras em curso na casa mortuária e abrir uma parte da Casa Amarela aos jovens, mas também estar mais próximo das famílias e dos doentes.
Ao sucessor deseja êxito e que como salesiano continue a ser o que tem sido: “uma pessoa reta, dada e simples”.
Catarina Cerca