Numa iniciativa do Jornal da Bairrada, em parceria com a Câmara Municipal de Oliveira do Bairro, o Hotel Paraíso serviu de palco, no passado dia 26 de novembro, ao 4.º Jantar Conferência, este ano subordinado à temática “A Bairrada e os desafios do futuro”.
Perante uma plateia de 150 pessoas, a intervenção mais contundente veio do advogado e fiscalista Tiago Caiado Guerreiro, que centrou a sua intervenção na pesada carga fiscal sobre os portugueses, mas também nas eventuais alterações ao nível de taxas e impostos que possam vir a ser aplicadas pelo novo Governo.

Empresários e Governo. Tiago Guerreiro começou a sua intervenção destacando a importância dos empresários e a forma pouco atenciosa como são tratados pelo poder político: “Os empresários, em Portugal, são pouco respeitados, embora criem emprego, invistam para desenvolver a sua região, façam o país crescer economicamente, arriscando o seu próprio dinheiro.”
Falou do IRC, do IRS e da TSU, que é somente a taxa marginal mais elevada da Europa, “61,3%”, mas também da taxa de IRS, que vai ser “mais progressiva, pese embora o facto de ser já a taxa mais elevada da Europa”.
Falou ainda do IMI progressivo: “significa que qualquer coisa avaliada a partir de 100 mil euros vai quase que duplicar a taxa de IMI”; mas também do que intitulou ser uma “renacionalização dos transportes”. “Eles chamam-lhe a retirada de concessão, mas a retirada de concessão a uma empresa é uma renacionalização – matam a empresa e o projeto empresarial”.
Caiado Guerreiro elencou ainda outras questões que considera preocupantes: a intenção de se criar um imposto sobre o património, que incidirá sobre as fortunas, entre o,5 e 1%: “Meio por cento e 1% sobre o valor dos ativos das pessoas com uma taxa de inflação zero significa que a maior parte das pessoas, com dinheiro depositado no banco, não consegue ter rendimento para pagar o imposto”; da taxa agravada sobre os bens de luxo, do imposto sucessório, da taxa sobre as transações bolsistas, do imposto de 0,5% sobre os depósitos acima de 100 mil euros e do imposto de 0,5% sobre as ações e títulos de dívida, do agravamento do IRC com uma taxa de 35% para rendimentos superiores a 3 milhões de euros e de uma taxa de 0,5% sobre todas as tansações financeiras.
Em Oliveira do Bairro deixou um alerta: “vamos ter um período muito complicado. Se juntarmos estas medidas a um aumento brutal da despesa pública, que rondará 3 ou 4 mil milhões de euros e a economia a estagnar (muita gente deixou de investir antes das eleições na expetativa de ver o que ia acontecer), estamos perante uma situação muito complicada”. Convicto de que Portugal corre o risco de ter por cá, dentro de um ano, novamente o FMI, também diz que “há sempre uma maneira de dar a volta às coisas. Agora é preciso ter prudência e cuidado com os recursos que temos”.

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Catarina Cerca