A APPACDM (Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental) de Anadia promove, esta quinta e sexta-feira (dias 3 e 4), o Festival d’Arte – um espetáculo único, de rara beleza, de artes performativas. Pelo palco do Cineteatro de Anadia, vão passar atuações musicais, de dança e de teatro inclusivos. No mesmo local, vai estar patente uma exposição de pintura, com trabalhos de diversos artistas da APPACDM e da comunidade.
Sobre o evento falámos com Madalena Cerveira, presidente da direção, que recordou a 1.ª edição do festival: “era uma novidade e houve uma afluência jeitosa e o espetáculo foi muito bonito”. Uma iniciativa que cresceu de forma sustentada, já que a 2.ª edição teve ainda maior afluência.
Daí que as expetativas em relação a esta 3.ª edição sejam grandes: “espero que este festival decorra muito bem e que seja a melhor edição de todas e que a comunidade adira em peso”.
E é neste apelo que lança a toda a comunidade anadiense que Madalena Cerveira revela a importância que o festival tem para estes jovens tão especiais. “Desejo que a comunidade venha ver e sentir aquilo que os nossos meninos fazem. Não ficam atrás de nenhum artista.”
Aliás, refere que a arte é importante porque “eles gostam de ser acarinhados e aplaudidos quando fazem algo. Ficam muito felizes e têm-se revelado aqui grandes atores e dançarinos porque se empenham muito em tudo o que fazem.”
O espetáculo que vai estar em palco durante estes dois dias é o culminar do trabalho desenvolvido durante o ano e que se vai traduzir, acredita Madalena Cerveira, “numa noite memorável”.
Por isso, deseja que a população se aperceba do que é o cidadão com deficiência, do que eles conseguem fazer, para além de serem muito sensíveis: “um bater de palmas, um beijo, um sorriso, é um reconhecimento enorme”.

Instituição referência. Com 25 anos de existência, a APPACDM de Anadia é uma das instituições mais jovens do país nesta área, mas também uma das que tem evoluído de uma forma consistente em relação às suas congéneres, seja em infraestruturas, seja em recursos humanos.
“Não podemos esquecer que a instituição, desde a primeira hora, tem contado com um apoio excecional por parte da Câmara Municipal de Anadia e por parte das empresas da região e do concelho que nunca nos dizem ‘não’”, destaca Madalena Cerveira, para quem foram e são os “muitos e muitos amigos que nos permitem avançar e fazer desta uma grande instituição”.
A atual responsável destaca o papel de Acácio Lucas (fundador e presidente da APPACDM durante vários anos) na aposta em várias frentes, sem medo ou receio, permitindo à instituição ter hoje as infraestruturas que tem e apoiar um número considerável de utentes.
Contudo, Madalena Cerveira não deixa de lamentar que as famílias não apareçam muito nas iniciativas que vão sendo dinamizadas. “A maioria são pessoas já com alguma idade (pais) porque os nossos utentes também já têm uma idade avançada”, reconhece, sublinhando que os pais mais jovens vão aparecendo: “o apelo que faço é a esses, que nos acompanhem, que apareçam porque esta casa é também deles.”
A terminar, avança que já se veem mais instituições a apostar na arte e neste tipo de festivais e com atividades culturais, porque estes intercâmbios permitem que todos partilhem experiências.

 

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